FESTA DA LAVADEIRA

FESTA DA LAVADEIRA

Estamos ao vivo transmitindo direto da festa da lavadeira

Depois de alguns transtorno para chegar ao local devido a imposição pelo investimento da praia do Paiva que fechou o acesso ao evento fazendo com que os turistas e pessoas que vão participar do evento os mesmo tiveram que dar uma longa caminhada através ou da praia ou através de um caminho que fizeram por entre os coqueirais

Mas tudo bem estamos aqui e vamos passar tudo de bom que acontecer por aqui.

Confira as primeiras fotos

veja as primeiras fotos

Quantas caras bocas e três jeitos, nós encontramos na Festa da  Lavadeira, uma verdadeira mistura de cultura afro o Cabo de Santo Agostinho recebe a festa da lavadeira com a abertura dos bacamarteiros do Cabo onde os mesmo tem uma historia de cultura da nossa terra confira o vídeo

A alegria dos participantes contagia a todos não importa a sua religião em si o que vale estar participando desta festa

Já Aécio dos 8 Baixos compôs uma musica para a festa da Lavadeira confira também

A 24ª edição da Festa da Lavadeira que acontece tradicionalmente no dia 1º de maio, neste sábado,  reunir 48 atrações culturais de Pernambuco e outros estados da Região Nordeste. O evento acontece na Praia do Paiva, no Cabo de Santo Agostinho.

Maracatus, afoxés, cocos, ciranda, bacamarteiros, bois, caboclinhos, pastoris profanos, escolas de samba, ursos e banda de pífanos estão entre as atrações culturais previstas. Dentre os destaques do evento, estão Lia de Itamaracá, Selma do Coco e Isaar que irá mostrar o seu trabalho Copo de Espuma. A expectativa é reunir cerca de 100 mil pessoas na Festa da Lavadeira.

A mistura das etnias faz com que todos dancem em vários ritmos, mostrando que todos podem viver em paz, um bom exemplo

Já Selma Coco tem historia para abranger varias gerações onde subiu ao palco gripada e com febre e ainda por cima a morte de um de seus filho levou a multidão a emoção

Como já era esperado o evento tornou a homenagear a mesma com a inclusão de suas nobres mãos em uma placa de cimento muito merecedora por sinal

As Diversidades de Ritmos são contagiantes que até as crianças já seguem os passos dos Pais


Festa da Lavadeira, uma coisa temos que perguntar para os nossos Governantes Municipais e Estaduais.

O Que Queremos de Cultura

Para nosso Povo?

Se analisamos do ponto de vista de todos os percalços que a festas da Lavadeira teve, para sua implantação, devemos concordar que ambos os gestores levaram só em conta os investimos inserido na Praia do Paiva e não se preocuparam das 100 mil pessoas que vão a este evento e nem tão pouco buscaram saber qual é o grau de risco que esta festa corre de ser eliminada por estes novos Milionários da Praia do Paiva.

veja as cores

Hora a resposta é bem simples, quem tem a posse da área são eles, que até ganharam a construção de uma Ponte para favorecer os mesmo, ainda por cima uma rodovia exclusiva toda monitorada, que só passara quem pagar, nem mesmo uma simples bicicleta poderá transpor a ponte, veja até que ponto chegou estes Governantes.

Estará faltando o que mais para acabarem com esta belíssima festa cultural, ao meu ver nada, basta ver que os participantes aqueles que não tem um carro ou os mesmo que moram perto da praia tiveram que andar 2 mil metros para chegar no local da festa, outro fato agravante foi a volta, onde no cair da noite sem iluminação colocaram em risco o povo que voltava de pé, que a todo momento tinha que tomar cuidado com os carros e motos que andavam em disparada nas ruas de areia.

Veja que tudo isso ocorre de forma manipulada por estes senhores da casa grande que com sua visão do capitalismo gerador de empregos, esquecem que a cultura também gera emprego, gera divisas culturais e o fato maior, que é a manutenção das raízes cultural de um POVO.

Notadamente os esforços da organização do evento têm de ser aplaudida que tudo faz e fez para que esta festa se torne um dos maiores evento cultural aqui no Cabo.

Encontramos vários seguimentos de cultura uma mais bela que a outra, não irei dar nomes a todos e sim pelo que eu vi, na sensibilidade de suas expressão, mostrando a todos que estiveram lá e não perceberão a gama de variedades de cores dos jeitos das expressões de varias culturas, como voce pode conferir as fotos

No princípio era a idéia, e a idéia se fez concreto, o concreto deu origem ao sonho e o sonho virou paixão. Se o primeiro sutiã a gente nunca esquece, imagine a primeira escultura que vira objeto de adoração mística, e termina transubstanciando-se em festa popular – a Festa da Lavadeira – com data oficial e tudo – todos os dias 1º de Maio.

O arquiteto, cartunista e escultor Ronaldo Câmara jamais poderia imaginar que iria realizar em vida uma proeza que nem Michelangelo nem Rodin, no mais febril delírio megalomaníaco, ousariam sonhar: atingir a glória celeste antes da glória terrena. E, de quebra, justamente com o trabalho de estréia, como se o Destino, essa entidade obscura que parece viver em constante litígio com o Acaso, quisesse mostrar que quem manda nessas coisas é ele mesmo e fim de papo. Mas seja destino, acaso ou genialidade precoce do artista, o fato é que o mito está formado e a festa de hoje celebra a lenda e realimenta o mito, num moto perpétuo e autofágico.

Mas muitas pedras rolaram e muitas águas passaram por debaixo das pernas da Lavadeira antes dela eternizar-se em pura metafísica. Projetada e confeccionada por Ronaldo Câmara em concreto armado em meados da década de 80, chegou ainda a participar de algumas exposições no Recife. Em maio de 86 integrou a mostra idealizada pelo artista plástico Alex Mont’albert, Esculturas na Praça, patrocinada pela Fundação de Cultura da Cidade do Recife, e ficou exposta na Praça do Derby e na Praça de Casa Forte, juntamente com trabalhos do próprio Mont’albert, Abelardo da Hora, Maurício Castro, Francisco Brennand e Cavani Rosas, entre outros. Foi, aliás, dividindo o espaço no atelier desse último que Ronaldo a esculpiu.

A ORIGEM DA LENDA - Mas um belo dia um amigo de Ronaldo, o poeta Eduardo Melo, olhou para a tal lavadeira e foi fulminado por amor à primeira vista. Prometeu ao pai da moça que a trataria como uma rainha e lhe daria um lugar de honra em sua casa na Praia do Paiva. O pai concordou e vendeu a escultura por um precinho bem camarada, negócio de pai pra filho, ou de sogro pra genro. Eduardo também não tinha a mínima idéia que os colonos e pescadores da Praia do Paiva iriam de fato confundi-la com uma rainha, espécie de Iemanjá doméstica e operária, e trazer-lhe oferendas e presentes, e prestar-lhe culto e fazer-lhe promessas.

Passaram-se os anos e a coisa foi pegando, e aí já tinha gente vendendo cachorro-quente aos romeiros, que é um sinal inconfundível do sucesso de um evento. Ao que foram se juntando músicos, e festeiros de plantão, enfim, dizem até que o Movimento Mangue ensaiou as suas primeiras caranguejasses por lá, antes de migrar pra Soparia do Pina. Hoje a Festa da Lavadeira é uma celebração da cultura pernambucana como um todo, e o que era inicialmente apenas objeto de devoção ingênua de alguns passou a ser o encontro de todas as classes e tribos, num feriado com tradição de comunhão social.

AS ULTIMAS FOTOS

E agora voce acha que esta festa deve Mudar de Lugar


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Comments
12 Responses to “FESTA DA LAVADEIRA”
  1. carlos santos disse:

    adoro a cultura do nosso estado a festa da lavadeira leva tudo isso temos q se unir p nao acabar esse patrimonio do estado de pernambuco a voz do povo e avoz de deus e dos deuses vamos juntos nessa luta.

  2. Alberto Figueiredo disse:

    Parabéns!
    A maior cobertura, a veiculação mais rápida entre os órgãos da imprensa cabense.
    Este evento popular (que há muito quebrou as barreiras do Cabo e se tornou tão querido pelo povo pernambucano).
    O PORTALCABO leva à blogosfera as imagens das manifestações populares durante este evento.
    Fazer uma matéria sobre a festa da lavadeira é fácil, mais o Portal Cabo captou o espírito da festa, a essência e consegui passar aos seus leitores a sua grandeza e importância cultural.
    Investigativo, conseguiu entender o que desejam os senhores, os barões.
    Capciosos vão lentamente alcançando seus objetivos.
    O povo não deve e não pode deixar que o poder financeiro destrua esta manifestação popular, não pode permitir que passando por cima de todas as leis (fato hoje normal em nosso país) não permitir que seja tolhido o constitucional direito do cidadão brasileiro de ir e vir em qualquer parte do território nacional, já esta dando para notar que ao Paiva terá acesso apenas para os ricos, o povo, fora. É a exclusão.
    Parabéns Moura! Por sua sensibilidade em perceber os caminhos que estão se fechando e com isso alertar para mais um ato de excrescência do governo em benefício dos ricos.
    Como se não bastasse destruir o patrimônio natural que é o manguezal de Suape (área de preservação “permanente”, só até quando o dinheiro não falar mais alto) o governo esta se esforçando ao máximo para destruir o cultural, em nome do progresso e em benefício dos doadores para campanha.

  3. Vera Montenegro disse:

    Gostaria de parabenizar o Portal Cabo na Pessoa do Senhor Moura, pela sua visão democrática neste Site e nesta visão, abordou de forma benéfica a cobertura da Festa da Lavadeira ao qual ela já não é mais de uma única Pessoa e sim de um Povo, um Povo que luta por sua inclusão cultural no estado de Pernambuco e por sinal na Cidade que eu Moro Cabo
    Sei das Grandes dificuldades que existem em promover esta festa, pois ela não é de graça, mas merece o apoio dos Governos Federal, Estadual e Municipal, contudo visando a continuidade da mesma e para aclarar as mentes destes Governantes mostro a particularidade da cultura africana inserida por décadas.
    Desde a chegada dos negros no Brasil, houve uma grande influência da cultura africana na nossa maneira de viver em muitas circunstâncias.
    Podemos destacar a presença afro-brasileira na nossa língua, de proveniência africana temos as seguintes palavras: cachaça, moleque, quindim, jiló, macumba, marimbondo, cochilo, tanga, samba, maxixe, zabumba, acarajé, carimbó, canjica, etc. Também se destacam nomes: Jurema, Iuri, Joaquim, Jusefa, etc. Não podemos nos esquecer da importância que trouxeram na alimentação: paçoca, feijoada, quindim, tapioca, bolo de fubá, acarajé, vacapá, bobó, feijão mulatinho, dendê, inhame e aipim. O Brasil teve uma forte influência da religião africana, tais como a Cacumba, Iemanjá e o Candoblé. O candoblé por exemplo, é uma religião fetichista(mas que sofreu influências do cristianismo), hoje comum no nosso país e que veio originalmente da África.

    O racismo e o preconceito têm sua raiz no processo de escravização dos povos africanos pelos europeus. Os escravos eram empregados em praticamente todas as atividades nos três séculos e meio que durou a escravidão em nosso país.
    Esse povo sofreu, mas trouxe consigo características que não se perderam com o tempo e permanecem até hoje acumulada na diversidade brasileira.

    Por isso precisamos nos organizar e dar um basta á quem quer que seja, que queira mudar o Local da festa, onde o local em si tem um sincretismo Religioso, que temos que respeitar o lugar e o Local e não cabe á qualquer poderiu econômico sobrepor a uma Cultura de um Povo

  4. Biro de Pirapama disse:

    Quero tambem contribuir e trago este arquivo

    RESUMO: A cultura de um país é formada pela cultura de cada um dos seus habitantes. É desse ponto de vista que partimos para responder a pergunta do subtítulo do nosso artigo. O que nós herdamos dos Africanos? Sabemos que é impossível mensurar a quantidade exata dessa influência, portanto tentaremos discorrer brevemente sobre três principais áreas de atuação: a linguagem, a culinária e o folclore, itens significativos da cultura de qualquer país.

    Palavras chave: África; Brasil; Cultura.

    1 INTRODUÇÃO

    Sabemos que existe uma história da África que antecede o tráfico de escravos para o nosso país. Sabemos também que nosso país tem uma cultura anterior a esse mesmo fato aí citado. E sabemos também que após a ocorrência da vinda desses escravos iniciou-se a construção do que hoje chamamos de identidade cultural afro-brasileira. Contudo eu vou além, ouso dizer que o que veio após a chegada dos primeiros negros aqui não foi o nascimento apenas da cultura afro-brasileira, mas sim o princípio da cultura brasileira. Para melhor ilustramos essa afirmação basta observamos nosso cotidiano. Se analisarmos reflexivamente a nossa atualidade, veremos que a influência da história cultural africana está presente em todos os aspectos da sociedade dita moderna. Não há mais possibilidade de desvincular a cultura brasileira da africana, da indígena ou da européia.

    Para ficar mais fácil de entendermos precisamos antes definir o que é cultura. Para Sérgio Grigoletto (2008) “Cultura é um conjunto de valores nos indivíduos de uma determinada sociedade, transmissíveis de forma não biológica”. Sei que o que se pede aqui é a influência da História Africana como um todo, contudo para tornar o entendimento mais significativo, vou me ater a uma análise da cultura africana como produto da sua história. Assim baseado nisso podemos dizer que cultura africana é: os valores inerentes à sociedade Africana. Mas aí a gente esbarra em um problema conceitual. Sabemos que a palavra África é muito pequena pra designar a complexidade cultural nela inserida, quer dizer quando se fala em África geralmente colocamos dúzias de estados independentes, dezenas de etnias diferentes e centenas de “culturas” distintas na mesma panela conceitual. Da mesma maneira ao tentarmos definir o que é cultura brasileira chegamos ao mesmo beco sem saída. Sendo o Brasil um país colonizado e “fabricado” por diferentes pessoas, portadoras de distintas culturas, como então se referir a “uma” cultura brasileira? Por isso volto ao que disse no início, não dá pra desvincular o Brasil de hoje do seu passado “promíscuo” culturalmente falando.

    Para tentar resolver esse impasse citado no parágrafo anterior, vamos desambiguar. Nesse artigo quando me referir à cultura africana, eu estarei fazendo menção de um conjunto de costumes, práticas e valores pertencentes aos migrantes forçadamente transladados para a América portuguesa ainda nos idos de 1500. Da mesma forma, quando escrever cultura brasileira, eu estarei falando dos elementos culturais presentes nos atuais “filhos da pátria”. Assim retomando o raciocínio vamos concluindo por ora dizendo então que o presente artigo irá se limitar a três principais pontos de contato entre nossa cultura e a história da África: a linguagem, a culinária e o folclore. Isso porque seria praticamente impossível descrevermos todos os elementos culturais de uma cultura mesclados em outra.

    2 LÍNGUA PORTUGUESA DO BRASIL: UM SOPRO AFRICANO EM NOSSO IDIOMA

    Segundo Ximenes (2001) a linguagem de uma nação é um organismo vivo, mutável, sujeito a modificações, aberto a interpolações e enxertos de origens diversas. Quer dizer, a língua portuguesa que nós hoje falamos é muito diferente daquela que era falada no início do século passado. Não falo apenas de regras gramaticais, mas também das palavras em si mesmas, já que palavras novas surgem a cada dia, outras deixam de ser utilizadas e outras ainda acabam sendo substituídas. Assim falando fica fácil perceber que a linguagem é uma das áreas mais fáceis de serem influenciadas por alguma cultura estrangeira. Vamos então montar um glossário com alguns exemplos de palavras correntemente utilizadas que tem sua origem nas diversas línguas faladas pelos diferentes povos africanos. A maioria eu encontrei no site Yahoo respostas (2008), todas foram enviadas por usuários do referido site:

    A
    abará: bolinho de feijão.
    acará: peixe de esqueleto ósseo.
    acarajé: bolinho de feijão frito (feijão fradinho).
    agogô: instrumento musical constituído por uma dupla campânula de ferro, produzindo dois sons.
    angu: massa de farinha de trigo ou de mandioca ou arroz.

    B
    bangüê: padiola de cipós trançados na qual se leva o bagaço da cana.
    bangulê: dança de negros ao som da puíta, palma e sapateados.
    banzar: meditar, matutar.
    banzo: nostalgia mortal dos negros da África.
    banto: nome do grupo de idiomas africanos em que a flexão se faz por prefixos.
    batuque: dança com sapateados e palmas.
    banguela: desdentado.
    berimbau: instrumento de percussão com o qual se acompanha a capoeira.
    búzio: concha.

    C
    cachaça: aguardente.
    cachimbo: aparelho para fumar.
    cacimba: cova que recolhe água de terrenos pantanosos.
    Caculé: cidade da Bahia.
    cafife: diz-se de pessoa que dá azar.
    cafuca: centro; esconderijo.
    cafua: cova.
    cafuche: irmão do Zumbi.
    cafuchi: serra.
    cafundó: lugar afastado, de acesso difícil.
    cafuné: carinho.
    cafungá: pastor de gado.
    calombo: quisto, doença.
    calumbá: planta.
    calundu: mau humor.
    camundongo: rato.
    candomblé: religião dos negros iorubás.
    candonga: intriga, mexerico.
    canjerê: feitiço, mandinga.
    canjica: papa de milho verde ralado.
    carimbo: instrumento de borracha.
    catimbau: prática de feitiçaria .
    catunda: sertão.
    Cassangue: grupo de negros da África.
    caxambu: grande tambor usado na dança harmônica.
    caxumba: doença da glândula falias.
    chuchu: fruto comestível.
    cubata: choça de pretos; senzala.
    cumba: forte, valente.

    D
    dendê: fruto do dendezeiro.
    dengo: manha, birra.
    diamba: maconha.

    E
    efó: espécie de guisado de camarões e ervas, temperado com azeite de dendê e pimenta.
    Exu: deus africano de potências contrárias ao homem.

    F
    fubá: farinha de milho.

    G
    guandu: o mesmo que andu (fruto do anduzeiro), ou arbusto de flores amarelas, tipo de feijão comestível.

    I
    inhame: planta medicinal e alimentícia com raiz parecida com o cará.
    Iemanjá: deusa africana, a mãe d’ água dos iorubanos.
    iorubano: habitante ou natural de Ioruba (África).

    J
    jeribata: alcóol; aguardente.
    jeguedê: dança negra.
    jiló: fruto verde de gosto amargo.
    jongo: o mesmo que samba.

    L
    libambo: bêbado (pessoas que se alteram por causa da bebida).
    lundu: primitivamente dança africana.

    M
    macumba: religião afro-brasileira.
    máculo: nódoa, mancha.
    malungo: título que os escravos africanos davam aos que tinham vindo no mesmo navio; irmão de criação.
    maracatu: cortejo carnavalesco que segue uma mulher que num bastão leva uma bonequinha enfeitada, a calunga.
    marimba: peixe do mar.
    marimbondo: o mesmo que vespa.
    maxixe: fruto verde.
    miçanga: conchas de vidro, variadas e miúdas.
    milonga: certa música ao som de violão.
    mandinga: feitiçaria, bruxaria.
    molambo: pedaço de pano molhado.
    mocambo: habitação muito pobre.
    moleque: negrinho, menino de pouca idade.
    muamba: contrabando.
    mucama: escrava negra especial.
    mulunga: árvore.
    munguzá: iguaria feita de grãos de milho cozido, em caldo açucarado, às vezes com leite de coco ou de gado. O mesmo que canjica.
    murundu1: montanha ou monte; montículo; o mesmo que montão.
    mutamba: árvore.
    muxiba: carne magra.
    muxinga: açoite; bordoada.
    muxongo: beijo; carícia.
    massagana: confluência, junção de rios em Angola.

    O
    Ogum ou Ogundelê: Deus das lutas e das guerras.
    Orixá: divindade secundário do culto jejênago, medianeira que transmite súplicas dos devotos suprema divindade desse culto, ídolo africano.

    P
    puita: corpo pesado usado nas embarcações de pesca em vez fateixa.

    Q
    quenga: vasilha feita da metade do coco.
    quiabo: fruto de forma piramidal, verde e peludo.
    quibebe: papa de abóbora ou de banana.
    quilombo: valhacouto de escravos fugidos.
    quibungo: invocado nas cantigas de ninar, o mesmo que cuca, festa dançante dos negros.
    queimana: iguaria nordestina feita de gergelim .
    quimbebé: bebida de milho fermentado.
    quimbembe: casa rústica, rancho de palha.
    quimgombô: quiabo.
    quitute: comida fina, iguaria delicada.
    quizília: antipatia ou aborrecimento.

    S
    samba: dança cantada de origem africana de compasso binário (da língua de Luanda, semba = umbigada).
    senzala: alojamento dos escravos.
    soba: chefe de trigo africana.

    T
    tanga: pano que cobre desde o ventre até as coxas.
    tutu: iguaria de carne de porco salgada, toicinho, feijão e farinha de mandioca.

    U
    urucungo: instrumento musical.

    V
    vatapá: comida.

    X
    xendengue: magro, franzino.

    Z
    zambi ou zambeta: cambaio, torto das pernas.
    zumbi: fantasmas.

    Assim como pudemos notar há um leque enorme de palavras que tem sua origem ligada ao continente africano. Algumas já caíram em desuso, mas a grande maioria ainda está entre nós. E essa é uma pesquisa recente, só Deus sabe mensurar exatamente a importância da África para a nossa língua.

    3 A CULINÁRIA BRASILEIRA QUE TEM SABOR DE ÁFRICA

    A culinária do Brasil tem uma nítida influência africana. É a essa conclusão que chegará quem se propuser a estudar, mesmo que superficialmente o tema. Segundo a Larousse (1995)

    O negro introduziu na cozinha o leite de coco-da-baía, o azeite de dendê, confirmou a excelência da pimenta malagueta sobre a do reino, deu ao Brasil o feijão preto, o quiabo, ensinou a fazer vatapá, caruru, mungunzá, acarajé, angu e pamonha. A cozinha negra, pequena, mas forte, fez valer os seus temperos, os verdes, a sua maneira de cozinhar. Modificou os pratos portugueses, substituindo ingredientes; fez a mesma coisa com os pratos da terra; e finalmente criou a cozinha brasileira, descobrindo o chuchu com camarão, ensinando a fazer pratos com camarão seco e a usar as panelas de barro e a colher de pau. Além disso, o africano contribuiu com a difusão do inhame, da cana de açúcar e do dendezeiro, do qual se faz o azeite-de-dendê. O leite de coco, de origem polinésia, foi trazido pelos negros, assim como a pimenta malagueta e a galinha de Angola.

    Ainda usando a mesma enciclopédia podemos montar um pequeno quadro com alguns pratos ainda hoje largamente presentes nas cozinhas brasileiras, principalmente no nordeste, e que são originários da África (para não ficar extenso citarei apenas os iniciados com a letra A):
    Ado
    Doce de origem afro-brasileira feito de milho torrado e moído, misturado com azeite-de-dendê e mel. (No candomblé, é comida-de-santo, oferecida a Oxum).

    Aberém
    Bolinho de origem afro-brasileira, feito de milho ou de arroz moído na pedra, macerado em água, salgado e cozido em folhas de bananeira secas. (No candomblé, é comida-de-santo, oferecida a Omulu e Oxumaré).

    Abrazô
    Bolinho da culinária afro-brasileira, feito de farinha de milho ou de mandioca, apimentado, frito em azeite-de-dendê.

    Acaçá
    Bolinho da culinária afro-brasileira, feito de milho macerado em água fria e depois moído, cozido e envolvido, ainda morno, em folhas verdes de bananeira. (Acompanha o vatapá ou caruru. Preparado com leite de coco e açúcar, é chamada acaçá de leite.) [No candomblé, é comida-de-santo, oferecida a Oxalá, Nanã, Ibeji, Iêmanja e Exu.]

    Abará
    Bolinho de origem afro-brasileira feito com massa de feijão-fradinho temperada com pimenta, sal, cebola e azeite-de-dendê, algumas vezes com camarão seco, inteiro ou moído e misturado à massa, que é embrulhada em folha de bananeira e cozida em água. (No candomblé, é comida-de-santo, oferecida a Iansã, Obá e Ibeji).

    Aluá
    Bebida refrigerante feita de milho, de arroz ou de casca de abacaxi fermentados com açúcar ou rapadura, usada tradicionalmente como oferenda aos orixás nas festas populares de origem africana.

    Esses são então alguns pratos tipicamente africanos que hoje se encontram visceralmente inseridos na mesa dos brasileiros. Além deles existem inúmeros que por uma questão de espaço não serão citados. Há que se fazer menção, contudo da feijoada, orgulho nacional, que também tem a sua origem ligada à história dos primeiros africanos nas senzalas do período colonial brasileiro. Do que dá pra tirar a conclusão de que no campo da culinária, muito daquilo que hoje a gente considera como tipicamente nacional não passa de apropriação da cozinha africana.

    4 A HISTÓRIA DA ÁFRICA MARCA NOSSO FOLCLORE

    A frase que abre esse tópico é resultado da pesquisa que realizei pra elaborar esse artigo. Uma definição para a palavra folclore se faz necessária nesse ponto não é? Relembro então uma definição que me foi passada na escola primária: Folclore é uma palavra de origem estrangeira que significa SABER DO POVO, onde Folk=Povo e Lore=Saber. Simples assim. Agora analisemos então o que faz parte do saber do nosso povo.

    Destaco em primeiro lugar as lendas que nos foram legadas por nossos antepassados. Vamos citar apenas duas. A primeira que me vem à mente é a do negrinho do pastoreio. Extremamente conhecida e que a primeira vista tem um alto teor de História da África a envolvê-la. Explico-me, a lenda conta a história de um negrinho, escravo, que com certeza tinha origem Africana. Assim apenas por isso, já dá pra dizer que a essa lenda envolve a História da África, pois qual é o fato da história do continente vizinho que até pouco tempo era único no objetivo de unir nossas historias? A escravidão.

    Passemos agora para a outra lenda, esta foi extraída do site Diário de Lisboa:

    Quibungo
    É uma espécie de monstro, meio homem, meio bicho. Tem a cabeça enorme e um grande buraco no meio das costas, que se abre e fecha conforme ele abaixa e levanta a cabeça. Come pessoas, especialmente crianças e mulheres, abrindo o buraco e atirando-as dentro dele.
    O quibungo, também chamado kibungo ou chibungo, é mito de origem africana que chegou ao Brasil através dos bantus e se fixou no estado da Bahia. Suas histórias sempre surgem em um conto romanceado, com trechos cantados, como é comum na literatura oral da África. Em Angola e Congo, quibungo significa “lobo”.
    Curiosamente, segundo as observações de Basílio de Magalhães, as histórias do quibungo não acompanharam o deslocamento do elemento bantu no território brasileiro, ocorrendo exclusivamente em terras baianas. Para Luís da Câmara Cascudo, apesar da influência africana ser determinante, “parece que o quibungo, figura de tradições africanas, elemento de contos negros, teve entre nós outros atributos e aprendeu novas atividades”.
    Extremamente voraz e feio, não possui grande inteligência ou esperteza. Também é muito vulnerável e pode ser morto facilmente a tiro, facada, paulada ou qualquer outra arma. Covarde e medroso morre gritando, apavorado, de forma quase inocente.

    Apesar de não estar presente no país todo, ainda é uma história muito comum na Bahia e em alguns estados do nordeste sendo, portanto considerada como parte do folclore brasileiro.

    Outra referência que devemos citar ao falarmos de folclore são as manifestações artísticas. Logo acima nas palavras de origem africana nós citamos o samba. Esse é o representante maior no cenário artístico. Ainda hoje o Brasil é conhecido mundialmente como o país do futebol e do samba. Mas aí perguntamos: que História da África há por detrás do samba? Vamos aos fatos. Segundo o site Sua Pesquisa (2008) o samba é uma adaptação das danças e dos cantos tribais dos primeiros escravos a aportarem no Brasil. Aqui ele sofreu variadas mutações até chegar ao estilo que hoje nós conhecemos. A partir daí é possível fazer uma dedução lógica, se eram cantos tribais por certo tinham a sua significância histórica. Todas as sociedades procuram um meio artístico para representarem sua história. Concordamos que por vezes o resultado é idealizado, mitológico, romanceado ou fantasioso, contudo não pode ser desconsiderado como material histórico. Do que podemos concluir que o samba, por ser descendente dessas manifestações culturais pode ser considerado um belo exemplo disso tudo que estamos tentando demonstrar.

    Poderíamos ainda discorrer sobre a capoeira, contudo considero a capoeira mais uma arte marcial do que uma manifestação artística. Mas vale o registro como fato ligado à História dos primeiros escravos africanos no Brasil que aperfeiçoaram a luta como forma de resistência aos dominantes. A música e a dança, na qual a luta pretendeu se esconder servia apenas para mascarar o verdadeiro caráter da capoeira, como dizia Mestre Palhinha “A capoeira é antes de tudo luta, e luta violenta” (abrasoffa.org, 2008).

    5 CONCLUSÃO

    Como temos visto a influência da História Cultural da África é muito nítida na cultura do nosso país. Citamos exemplos de palavras usadas na nossa língua pátria que vieram dos africanos, também elencamos ingredientes culinários provenientes do continente vizinho e concluímos citando algumas manifestações folclóricas brasileiras ligadas à cultura da África. Conforme vimos então são vários os exemplos que nos permitem fazer uma tentativa de responder a pergunta inicial do artigo: O que nossa cultura herdou da África? Muita coisa! Não dá para citarmos um percentual, mas aquilo que hoje consideramos como Cultura Brasileira, identidade cultural nacional, ou qualquer conceito do gênero está definitivamente vinculado à História da África, que nos foi ligada a partir do momento em que o primeiro escravo africano pisou em solo tupiniquim. É claro que todas as demais levas de emigrantes ajudaram a formar esse mosaico de culturas diversas que por incrível que pareça forma uma ampla, complexa e única cultura nacional.

    E vamos dizer Não a mudança do Local da festa

  5. Amanda arruda disse:

    Acho que estes Milionários não sabem o que é cultura e nem mesmo suas origens, principalmente em nossa Musica Brasileiras, não é atoa que tem poucos Brasileiros inseridos neste grupo de casas que estão sendo construídas na Reserva do Paiva.
    Vou colaborar também para estes leigos Capitalistas, que só pensam no seu Patrimônio inclusive passando por cima de culturas Locais como é o Caso Da Festa da Lavadeira

    A cultura brasileira e, logicamente, a rica música que se faz e consome no país estruturam-se a partir de duas básicas matrizes africanas, provenientes das civilizações conguesa e iorubana. A primeira sustenta a espinha dorsal dessa música, que tem no samba sua face mais exposta. A segunda molda, principalmente, a música religiosa afro-brasileira e os estilos dela decorrentes. Entretanto, embora de africanidade tão expressiva, a música popular brasileira, hoje, ao contrário da afro-cubana, por exemplo, distancia-se cada vez mais dessas matrizes. E caminha para uma globalização tristemente enfraquecedora.

    Das congadas ao samba: a matriz congo

    Já nos primeiros anos da colonização, as ruas das principais cidades brasileiras assistiam às festas de coroação dos “reis do Congo”, personagens que projetavam simbolicamente em nossa terra a autoridade dos muene-e-Kongo, com quem os exploradores quatrocentistas portugueses trocaram credenciais em suas primeiras expedições à África subsaariana.

    Esses festejos, realçados por muita música e dança, seriam não só uma recriação das celebrações que marcavam a entronização dos reis na África como uma sobrevivência do costume dos potentados bantos de animarem suas excursões e visitas diplomáticas com danças e cânticos festivos, em séqüito aparatoso. E os nomes dos personagens, bem como os textos das cantigas entoadas nos autos dramáticos em que esses cortejos culminavam, eram permeados de termos e expressões originadas nos idiomas quicongo e quimbundo.

    Esses cortejos de “reis do Congo”, na forma de congadas, congados ou cucumbis (do quimbundo kikumbi, festa ligada aos ritos de passagem para a puberdade), influenciados pela espetaculosidade das procissões católicas do Brasil colonial e imperial, constituíram, certamente, a velocidade inicial dos maracatus, dos ranchos de reis (depois carnavalescos) e das escolas de samba – que nasceram para legitimar o gênero que lhes forneceu a essência.

    Sobre as origens africanas do samba veja-se que, no início do século XX, a partir da Bahia, circulava uma lenda, gostosamente narrada pelo cronista Francisco Guimarães, o Vagalume, no clássico Na roda do samba, de 1933 [1], segundo a qual o vocábulo teria nascido de dois verbos da língua iorubá: san, pagar, e gbà, receber. Depois de Vagalume, muito se tentou explicar a origem da palavra, alguém até lhe atribuindo uma estranha procedência indígena. Mas o vocábulo é, sem dúvida, africaníssimo. E não iorubano, mas legitimamente banto.

    Samba, entre os quiocos (chokwe) de Angola, é verbo que significa “cabriolar, brincar, divertir-se como cabrito”. Entre os bacongos angolanos e congueses o vocábulo designa “uma espécie de dança em que um dançarino bate contra o peito do outro”. E essas duas formas se originam da raiz multilinguística semba, rejeitar, separar, que deu origem ao quimbundo di-semba, umbigada – elemento coreográfico fundamental do samba rural, em seu amplo leque de variantes, que inclui, entre outras formas, batuque, baiano, coco, calango, lundu, jongo etc.

    Buscando comprovar essa origem africana do samba – nome que define, então, várias danças brasileiras e a música que acompanha cada uma delas –, veremos que o termo foi corrente também no Prata como samba ou semba, para designar o candombe, gênero de música e dança dos negros bantos daquela região.

    Responsáveis pela introdução, no continente americano, de múltiplos instrumentos musicais, como a cuíca ou puíta, o berimbau, o ganzá e o reco-reco, bem como pela criação da maior parte dos folguedos de rua até hoje brincados nas Américas e no Caribe, foram certamente africanos do grande grupo etnolingüístico banto que legaram à música brasileira as bases do samba e a grande variedade de manifestações que lhe são afins.

    Dentre as danças do tipo batuque ou samba listadas pela etnomusicóloga Oneyda Alvarenga [2], com exceção da tirana e da cachucha, de origem européia, todas elas trazem, no nome e na coreografia, evidências de origem banta, apresentando muitas afinidades com a massemba ou rebita, expressão coreográfica muito apreciada nas regiões angolanas de Luanda, Malanje e Benguela, e que teve seu esplendor no século XIX.

    No Rio de Janeiro, a modalidade mais tradicional do samba é o partido-alto, um samba cantado em forma de desafio por dois ou mais participantes e que se compõe de uma parte coral e outra solada. Essa modalidade tem raízes profundas nas canções do batuque angolano, em que as letras são sempre improvisadas de momento e consistem geralmente na narrativa de episódios amorosos, sobrenaturais ou de façanhas guerreiras. Segundo viajantes como o português Alfredo Sarmento [3], nos sertões angolanos, no século XIX, havia negros que adquiriam fama de grandes improvisadores e eram escutados com o mais religioso silêncio e aplaudidos com o mais frenético entusiasmo. A toada que cantavam era sempre a mesma, e invariável o estribilho que todos cantavam em coro, batendo as mãos em cadência e soltando de vez em quando gritos estridentes.

    Segundo Oneyda Alvarenga, a estrofe solista improvisada, acompanhada de refrão coral fixo, e a disposição coro-solo são características estruturais de origem africana ocorrentes na música afro-brasileira. Tanto elas quanto a coreografia revelam, no antigo samba dos morros do Rio de Janeiro, a permanência de afinidade básicas com o samba rural disseminado por boa parte do território nacional. Observe-se, ainda, que os batuques festivos de Angola e Congo certamente já se achavam no Brasil havia muito tempo. E pelo menos no século passado eles já tinham moldado a fisionomia do nosso samba sertanejo.

    Mas até aí, o batuque e o samba a que os escritores se referem são apenas dança. Até que Aluísio Azevedo, descrevendo, no romance O cortiço [4], um pagode em casa da personagem Rita Baiana, nos traz uma descrição dos efeitos do “chorado” da Bahia, um lundu, tocado e cantado. Esse lundu a que o romancista se refere foi certamente o ancestral do samba cantado, herdeiro que era das canções dos batuques de Angola e do Congo.

    Com a estruturação, na cidade do Rio de Janeiro, da comunidade baiana na região conhecida historicamente como “Pequena África” – espaço sóciocultural que se estendia da Pedra do Sal, no morro da Conceição, nas cercanias da atual Praça Mauá, até a Cidade Nova, na vizinhança do Sambódromo, hoje –, o samba começa a ganhar feição urbana. Nas festas dessa comunidade a diversão era geograficamente estratificada: na sala tocava o choro, o conjunto musical composto basicamente de flauta, cavaquinho e violão; no quintal, acontecia o samba rural batido na palma da mão, no pandeiro, no prato-e-faca e dançado à base de sapateados, peneiradas e umbigadas. Foi aí, então, que ocorreu, entre o samba rural baiano e outras formas musicais, a mistura que veio dar origem ao samba urbano carioca. E esse samba só começou a adquirir os contornos da forma atual ao chegar aos bairros do Estácio e de Osvaldo Cruz, aos morros, para onde foi empurrada a população de baixa renda quando, na década de 1910, o centro do Rio sofreu sua primeira grande intervenção urbanística. Nesses núcleos, para institucionalizar seu produto, então, foi que, organizando-o, legitimando-o e tornando-o uma expressão de poder, as comunidades negras cariocas criaram as escolas de samba.

    Daí que, em conclusão, todos os ritmos e gêneros existentes na música popular brasileira de consumo de massa, quando não são reprocessamento de formas estrangeiras, se originam do samba ou são com ele aparentados.

    Afoxés e blocos afro: a matriz iorubá

    As condições históricas da vinda maciça de iorubanos para o Brasil, do fim do século XVIII aos primeiros anos da centúria seguinte, fizeram com que a língua desse povo se transformasse numa espécie de língua geral dos africanos na Bahia e seus costumes gozassem de franca hegemonia. Esse fato, aliado, posteriormente, ao trabalho de reorganização das comunidades jeje-nagôs empreendido principalmente pela ialorixá Mãe Aninha, Obá Biyi (1869-1938) e pelo babalaô Martiniano do Bonfim, Aji Mudá (1858-1943), na Bahia, em Recife e no Rio de Janeiro, fez com que os iorubás passassem a ser vistos como a principal referência no processo civilizatório da diáspora africana no Brasil. Mas mesmo antes das ações concretas daquelas duas grandes lideranças, as tradições iorubanas já faziam presença na música. Tanto assim que, a partir do carnaval de 1897, saía às ruas de Salvador, encenando, com canto, danças e alegorias, temas da tradição nagô, o clube Pândegos d’África, considerado o primeiro afoxé baiano.

    O afoxé, cordão carnavalesco de adeptos da tradição dos orixás, e por isso outrora também chamado “candomblé de rua”, apresenta-se cantando cantigas em iorubá, em geral relacionadas ao universo do orixá Oxum. Esses cânticos são tradicionalmente acompanhados por atabaques do tipo “ilu”, percutidos com as mãos, além de agogôs e xequerês, no ritmo conhecido como “ijexá”.

    Observe-se que a etimologia dos nomes dos instrumentos citados remete sempre ao iorubá (ìlu, agogo, sèkérè). Da mesma forma que o vocábulo “afoxé” se origina em àfose (encantação; palavra eficaz, operante) e corresponde ao afro-cubano afoché, o qual significa “pó mágico”; enfeitiçar com pó. E aí está a origem histórica do termo: os antigos afoxés procuravam “encantar” os concorrentes.

    Os afoxés experimentam um período de vitalidade até o final da década de 1890, para declinarem até o término dos anos de 1920 e ressurgirem na década de 1940. O grande remanescente desses grupos é, hoje, o afoxé Filhos de Gandhi, fundado na cidade de Salvador em 18 de fevereiro de 1948. Criado “para divulgação do culto nagô, como forma de afirmação étnica”, segundo seus estatutos, e originalmente constituído por estivadores, no final da década de 1990, gozando do respaldo oficial, reunia mais de 4 mil associados, entre os quais um grande número de pais-de-santo. Em 12 de agosto de 1951 era fundado no Rio de Janeiro, no bairro da Saúde, seu homônimo carioca.

    Nos anos de 1980, no bojo do movimento pelos direitos dos negros, surgem em Salvador os blocos afro, com o objetivo explícito de reafricanizar o carnaval de rua da capital baiana. Usando temas que buscam uma conexão direta com a África e a afirmação da negritude, essas agremiações criaram uma nova estética. Como acentua João José Reis, eles reinventaram as ricas tradições da cultura negra local, “para exaltar publicamente a beleza da cor, celebrar os heróis afro-brasileiros e africanos, para contar a história dos países da África e das lutas negras no Brasil, para denunciar a discriminação, a pobreza, a violência no dia-a-dia do negro” [5]. Além disso, foram responsáveis pela estruturação de uma nova linguagem musical, que se expressa no estilo comercialmente conhecido como axé music, transformado em produto de domínio nacional.

    A atuação de vários blocos afro, transcendendo o âmbito do carnaval, materializou-se dentro de um projeto estético-político e estendeu-se ao trabalho de recuperação, preservação e valorização da cultura de origem africana e de desenvolvimento comunitário. Nesse sentido, o trabalho, por exemplo, do Olodum e do Ilê Aiyê ganhou dimensão e reconhecimento internacionais.

    Visto isso, examinemos, agora, o ponto de interseção entre as matrizes bantas e sudanesas na música brasileira, que se verifica, exatamente, através da religiosidade.

    Música popular e religiões africanas

    A origem banta (bantu) do samba, como vimos, já está devidamente comprovada. Da mesma forma, é também banta a origem dos vocábulos “umbanda”, “macumba” “mandinga” etc, pertencentes ao universo dos cultos bantos do Brasil. Antes, porém, de entrarmos no cerne do nosso objetivo, façamos o seguinte esclarecimento.

    O registro mais antigo que se conhece de cultos bantos em nosso país é o da cabula, denunciado numa pastoral do bispo D. João Corrêa Nery no Espírito Santo, no fim do século retrasado. Congregando, entre 1888 e 1900, mais de 8 mil pessoas, a comunidade dos cabulistas, entretanto, e certamente também em função da repressão, não dispunha de templo organizado em espaço físico exclusivo. Suas reuniões de culto eram secretas, realizando-se ora em casa de um adepto ora no meio da mata, mas com práticas, vestimentas e paramentos – segundo o famoso relato do bispo Nery, divulgado por Nina Rodrigues [6] – bastante semelhantes aos da umbanda.

    Observe-se ainda que toda a literatura que se ocupou de comparar as concepções religiosas dos povos bantos de Angola e Congo com as dos iorubás apontou uma falta de substância daquelas em relação a estas outras. Mas o que é certo é que elas guardam entre si diferenças estruturais. Uma delas é a não existência de divindades intermediárias de forma humana, e sim gênios da natureza criados por Nzambi (este nome ocorre, com pequenas variantes, em quase todas as línguas bantas), mas sem relação alguma com formas corporais humanas; outra é a não existência de templos, como vimos; e ainda outra é a não fixação de datas certas para a celebração de cultos.

    Até a virada dos séculos XIX e XX, parece que essas diferenças eram bem compreendidas, como ocorre, hoje, em Cuba. E as informações de que dispomos sobre a cabula nos parecem bastante esclarecedoras a esse respeito.

    No entanto, com o estabelecimento das primeiras comunidades baianas no Rio de Janeiro, na segunda metade do século XIX, começa a se verificar, ao que parece, uma supremacia iorubana (nagô), como vemos, por exemplo, nos textos de João do Rio [7] sobre as religiões africanas na antiga capital federal. Essa prevalência é que vai, talvez, determinar o surgimento dos candomblés chamados “de Angola” e “de Congo” e a iorubanização da linha ritual conhecida como “Omolocô”, os quais, ao que consta, já não exprimem o sentido original das concepções religiosas dos povos bantos, mas apenas adaptam os princípios jeje-nagôs a um sonhado universo angolo-conguês.

    Feito o esclarecimento, vamos ver que a matriz principal da umbanda nos parece ser essa cabula capixaba, a qual deu origem ao omolocô, cuja expansão se verificou particularmente no Rio de Janeiro, na primeira metade do século XX.

    Pouco antes dessa expansão, a partir da segunda metade do século XIX, o processo gradativo que vai levar à abolição da ordem escravista traz, para a terra carioca, milhares de negros livres em busca de trabalho, que vêm juntar-se aos africanos, crioulos e mestiços que já ganhavam a vida na antiga capital do Império, principalmente nas zonas central e portuária. Esses negros livres é que vão constituir a já citada “Pequena África” e os outros núcleos dinamizadores do samba no Rio de Janeiro.

    Examinemos, agora, um significativo texto do sambista Aniceto do Império. Nascido e falecido no Rio (1912-1993), Aniceto de Menezes e Silva Jr., um dos fundadores da escola de samba Império Serrano, destacou-se como exímio partideiro pela facilidade com que improvisava versos nas rodas de samba. Seu texto, letra de um samba ainda inédito [8], é o seguinte: “Assumano, Alabá, Abaca, Tio Sanin/ e Abedé me batizaram/ na lei de muçurumim…”. Vejamos quem são esses personagens a quem o partideiro se refere.

    “Assumano”, algumas vezes erroneamente grafado como “Aço Humano”, foi o nome através do qual se fez conhecido Henrique Assumano Mina do Brasil, famoso alufá radicado no Rio de Janeiro e pertencente à comunidade da Pequena África, na virada do século XIX para o XX. Residiu no nº 191 da Praça Onze e tinha como freqüentadores de sua casa, entre outros, o célebre sambista Sinhô e o jornalista Francisco Guimarães, o Vagalume, fundador da crônica de samba no Rio. O nome “Assumano” é o abrasileiramento do antropônimo Ansumane ou Ussumane (do árabe Othman ou Utmân), usual entre muçulmanos da antiga Guiné Portuguesa.

    No mesmo contexto, João Alabá, falecido em 1926, foi um famoso babalorixá, certamente baiano, radicado no Rio de Janeiro. Um dos mais prestigiados de seu tempo, sua casa era no número 174 da rua Barão de São Félix, nas proximidades do terminal da Estrada de Ferro Central do Brasil. Seu nome marca sua origem nagô (alagba, chefe do culto de Egungun; pessoa venerável, de respeito; ou antropônimo dado ao segundo filho que nasce depois de gêmeos). Era pai de santo da legendária Tia Ciata, também mãe-pequena de sua comunidade religiosa.

    Da mesma forma, Cipriano Abedé, falecido em 1933, foi um famoso babalorixá do Rio de Janeiro, no princípio do século XX, com casa, primeiro na rua do Propósito e depois na rua João Caetano, próximo à Central do Brasil. O nome Abedé, redução de Alabedé, designa uma das manifestações ou qualidades do orixá Ogum.

    Já “Abaca” é provavelmente corruptela de Abu Bacar, nome muçulmano, mas o personagem não foi por nós identificado. “Tio Sanim”, por sua vez, parece ser o mesmo Babá Sanin, morador na rua dos Andradas, e mencionado no já referido livro de João do Rio.

    O universo dos sambistas pioneiros não se restringiu, porém, apenas à comunidade baiana e muitos menos ao povo de muçurumim (linha ritual de influência islâmica), já que, quando essa arte começa a se expressar nas escolas de samba, grande parte dos fundadores era oriunda do Vale do Paraíba e adjacências (zona de irradiação cultural bantu), como foi o caso do principal fundador da escola de samba Império Serrano, o legendário Mano Elói.

    Mano Elói foi o nome pelo qual se fez conhecido Elói Antero Dias, sambista nascido em Engenheiro Passos, RJ, em 1888, e falecido na cidade do Rio, para onde viera com 15 anos de idade, em 1971. Em 1936 foi eleito “cidadão samba” [9] em concurso promovido pela União Geral das Escolas de Samba do Brasil. E em 1947 ajuda a fundar a escola de samba Império Serrano, da qual foi presidente executivo e, depois, presidente de honra. Em 1930, Mano Elói tornou-se o pioneiro do registro em disco de cânticos rituais afro-brasileiros. Nesse ano, com o Conjunto Africano, gravou um ponto de Exu, dois de Ogum e um de Iansã. Seu companheiro nessa empreitada foi outro sambista pioneiro, o legendário “Amor”, sugestivo apelido de Getúlio Marinho da Silva, nascido em Salvador, em 1889 e falecido no Rio, onde viveu desde os 6 anos de idade, em 1964. Exímio bailarino, foi mestre-sala de vários ranchos carnavalescos. De 1940 a 1946 foi o “cidadão-samba” do carnaval carioca. Compositor, foi co-autor da marcha junina “Pula a fogueira”, até hoje executada.

    O pioneirismo dos sambistas Amor e Mano Elói deve-se ao fato de eles terem levado para o disco verdadeiros cânticos rituais, executados e interpretados como autênticos pontos de macumba, com atabaques etc. Mas, antes deles, outros artistas da música popular já tinham criado obras baseadas nessa tradição, como foi o caso de Chiquinha Gonzaga com “Candomblé” (batuque composto em parceria com Augusto de Castro e lançado em 1888, provavelmente em comemoração à Lei Áurea, já que Chiquinha era ativa abolicionista), de “Pemberê” (de Eduardo Souto e João da Praia, lançado em 1921) e de “Macumba jeje” (lançada por Sinhô em 1923).

    Depois de Mano Elói e Amor, vamos ter, entre muitas outras, “Xô, curinga” (Pixinguinha, Donga e João da Baiana), lançada em 1932 com a rubrica “macumba”, “Yaô” (Pixinguinha e Gastão Viana, 1938), “Uma festa de Nana” (Pixinguinha, 1941); “Macumba de Iansã” e “Macumba de Oxossi” (de Donga e Zé Espinguela, sambista e pai-de-santo, gravadas em 1940) e “Benguelê” (Pixinguinha, 1946) etc.

    Contemporâneo de Amor e Mano Elói, e um verdadeiro elo entre o mundo do samba e o dos cultos afro, foi o tata Tancredo Silva Pinto. Compositor de “Jogo proibido”, de 1936, tido por muitos como o primeiro samba de breque, e co-autor de “General da banda”, grande sucesso do carnaval de 1949, além de autor de vários livros sobre a doutrina umbandista, Tancredo foi um grande líder do samba e da umbanda. Tanto que em 1947 ajudava a fundar a Federação Brasileira das Escolas de Samba e, logo depois, criava a Confederação Umbandista do Brasil.

    Sobre a criação da Federação, Tata Tancredo (como era conhecido) contava um fato interessante, narrado no livro Culto omoloko:

    … esse episódio passou-se na casa da minha tia Olga da Mata. Lá arriou Xangô, no terreiro São Manuel da Luz, na Avenida Nilo Peçanha, 2.153, em Duque de Caxias. Xangô falou: – Você deve fundar uma sociedade para proteger os umbandistas, a exemplo da que você fundou para os sambistas, pois eu irei auxiliá-lo nesta tarefa. Imediatamente tomei a iniciativa de fazer a Confederação Umbandista do Brasil, sem dinheiro e sem coisa alguma. Tive uma inspiração e compus o samba General da banda, gravado por Blecaute [10], que me deu algum dinheiro para dar os primeiros passos em favor da Confederação Umbandista do Brasil [11].

    Quase vinte anos depois desse sucesso de Tancredo e do cantor Blecaute, em 1965, surge para o disco Clementina de Jesus, cantora nascida em Valença, RJ, em 1901, e falecida no Rio, onde vivia desde menina, em 1987. Descoberta para a vida artística já sexagenária, afirmou-se como uma espécie de “elo perdido” entre a ancestralidade musical africana e o samba urbano. Seu trabalho de maior expressão fez-se através da interpretação de jongos, lundus, sambas da tradição rural e cânticos rituais recriados, como o já mencionado “Benguelê”, de Pixinguinha.

    Logo depois do surgimento de Clementina, outra importante interseção entre a música popular brasileira e a religiosidade africana ocorre com os “afro-sambas” (“Canto de Ossanha”, “Ponto do Caboclo Pedra Preta” etc) lançados por Baden Powell e Vinícius de Moraes em 1966. E é o mesmo Vinícius que, agora em parceria com Toquinho, vai lançar um “Canto de Oxum”, em 1971, e um “Canto de Oxalufã”, em 1972.

    Daí em diante, a vertente começa a se rarefazer, com raras incursões, como a do cantor e compositor Martinho da Vila, que, em um de seus discos do final dos anos 70, registrou uma seqüência de cantigas rituais da umbanda.

    As escolas de samba e os sambas-enredo

    Com relação às escolas de samba cariocas – cujos terreiros (terreiros e não “quadras”, como hoje) até os anos de 1970 obedeciam a um regimento tácito semelhante ao dos barracões de candomblé, com acesso à roda permitido somente às mulheres, por exemplo –, veja-se que elas, hoje, são, ainda, um veículo em que a temática africana é recorrente. Muito embora seus enredos e sambas enfoquem a África por uma perspectiva meramente folclorizante.

    O samba-enredo – esclareçamos – é uma modalidade de samba que consiste em letra e melodia criadas a partir do resumo do tema elaborado como enredo de uma escola de samba. Os primeiros sambas-enredo eram de livre criação: falavam da natureza, do próprio samba, da realidade dos sambistas. Com a oficialização dos concursos, na década de 1930, veio a exaltação dirigida de personagens e fatos históricos. Os enredos passaram a contar a história do ponto de vista da classe dominante, abordando os acontecimentos de forma nostálgica e ufanística. A reversão desse quadro só começou a vir em 1959, quando a escola de samba Acadêmicos do Salgueiro apresentou, com uma homenagem ao pintor francês Debret, e com grande efeito visual, o cotidiano dos negros no Brasil à época da colônia e do Império, o que motivou uma seqüência de enredos sobre Palmares, Chica da Silva, Aleijadinho e Chico Rei, voltados para o continente africano. Mas, se a ingerência governamental já não era tão forte, pelo menos enquanto cerceamento da liberdade na criação dos temas, um outro tipo de interferência começava a nascer: a dos cenógrafos de formação erudita ou treinados no show-business, criadores desses enredos, os quais imprimiram ao carnaval das escolas a feição que ele hoje ostenta e que, direta ou indiretamente, selaram o destino dos sambas-enredo. Tanto que, no final do século XIX, o samba-enredo é um gênero em franca decadência. Em cerca de 60 anos de existência, no entanto, a modalidade mostrou sua força em dezenas de obras antológicas.

    Entre os enredos apresentados pelas escolas de samba cariocas das várias divisões, a partir de 1948, muitos fazem referência mais direta à África, como, por exemplo: “Navio negreiro” (Vila Isabel, 1948, e Salgueiro, 1957), “Quilombo dos Palmares” (Salgueiro, 1960, Viradouro, 1970, e Unidos de Padre Miguel, 1984), “Chico Rei” (União de Vaz Lobo, 1960, Salgueiro, 1964, e Viradouro, 1967), “Ganga Zumba” (Unidos da Tijuca, 1972), “Valongo” (Salgueiro, 1976, e Unidos de Padre Miguel, 1988), “Galanga, o Chico Rei” (Unidos de Nilópolis, 1982), “Ganga Zumba, raiz da liberdade” (Engenho da Rainha, 1986). Isso sem falar em outros tantos temas como “Porque Oxalá usa ekodidé”, “Oju Obá”, “Logun, príncipe de Efan”, “O mito sagrado de Ifé”, “Oxumará, a lenda do arco-íris”, “Alafin Oyó”, “Príncipe Obá, rei dos descamisados”, “Ngola Djanga”, “De Daomé a São Luiz, a pureza mina-jeje”, “Império negro, um sonho de liberdade, “Kizomba, festa da raça”, “Preito de vassalagem a Olorum” etc. [12]

    De alguns desses títulos, selecionamos, como exemplo de abordagens, e sem maiores comentários, alguns trechos:

    África… misteriosa África/ Magia, no rufar dos tambores se fez reinar/ Raiz que se alastrou por este imenso Brasil/ Terra dos santos que ela não viu… (“Os santos que a África não viu”, Grande Rio, 1996 – Mais Velho, Rocco Filho, Roxidiê, Helinho 107, Marquinhos e Pipoca); África encanto e magia/ Berço da sabedoria/ Razão do meu cantar/ Nasceu a liberdade a ferro e fogo/ A Mãe Negra abriu o jogo/ Fez o povo delirar… (“Quando o samba era samba”, Portela, 1996 – Wilson Cruz, Cláudio Russo, Zé Luiz); Vem a lua de Luanda/ Para iluminar a rua/ Nossa sede é nossa sede/ De que o apartheid se destrua… (“Kizomba, festa da raça”, Vila Isabel, 1988 – Rodolfo, Jonas e Luiz Carlos da Vila); Vivia no litoral africano/ Uma régia tribo ordeira/ Cujo rei era símbolo/ De uma terra laboriosa e hospitaleira/ Um dia essa tranquilidade sucumbiu/ Quando os portugueses invadiram/ capturando homens/ para fazê-los escravos no Brasil/ na viagem agonizante/ Houve gritos alucinantes/ Lamentos de dor/ Ô ô ô, adeus baobá, ô ô ô/ Ô ô ô, adeus meu Bengo, eu já vou… (“Chico Rei”, Salgueiro, 1965 – Geraldo Babão, Djalma Sabiá e Binha); Ilu Aiê, Ilu Aiê, odara! / Negro cantava na nação nagô/ Depois chorou lamento de senzala/ Tão longe estava de sua Ilu Aiê… (“Ilu Aiê, terra da vida”, Portela, 1972 – Cabana e Norival Reis); Bailou no ar/ O ecoar de um canto de alegria/ Três princesas africanas/ Na sagrada Bahia/ Ia Kalá, Iá Adetá, Iá Nassó/ Cantaram assim a tradição nagô/ Olorum, senhor do infinito/ Ordena que Obatalá/ faça a criação do mundo/ ele partir, despreando bará/ E no caminho adormecendo/ Se perdeu/ Odudua, a divina senhora chegou… (“A criação do mundo segundo a tradição nagô”, Beija-Flor, 1978 – Neguinho da Beija-Flor, Mazinho e Gilson); Conta a lenda que a deusa Oiá/ Foi aconselhar Ifá/ A buscar a cura em Sabadã/ Pra Obaluaiê se levantar… (“O bailar dos ventos, relampejou mas não choveu”, Salgueiro, 1980 – Ala dos Compositores); Lá da África distante/ Trouxeram o misticismo da magia/ maçons e mestres alufás/ Usavam estratégia e ousadia… (“Salamaleikun, a epopéia dos insubmissos malês”, Unidos da Tijuca, 1984 – Carlinhos Melodia, Jorge Moreira e Nogueirinha); Esta negra caprichosa/ Convidou o rei da Costa do Marfim/ E o recebeu de forma suntuosa/ A festa parecia não ter fim… (“O rei da Costa do Marfim visita Xica da Silva em Diamantina”, Imperatriz, 1983 – Matias de Freitas, Carlinhos Boemia e Nelson Lima); Lua alta/ Som contante/ Ressoam os atabaques/ lembrando a África distante… (“Misticismo da África ao Brasil”, Império da Tijuca, 1971 – Marinho da Muda).

    Sobre a predominância, nesses sambas, de temas ligados ao universo iorubano, observe-se que isso ocorre pela maior visibilidade que essa matriz tem no Brasil, notadamente através da Bahia. A Bahia, graças principalmente à sua capital, é internacionalmente conhecida pela riqueza de suas tradições africanas, apropriadas como verdadeiros símbolos nacionais brasileiros. Segundo algumas interpretações, a visibilização desse precioso acervo cultural teria ocorrido pela presença histórica, em Salvador e no Recôncavo Baiano, de diversas “nações” africanas organizadas, e muitas vezes adversárias, cada uma ciosa de sua identidade étnica. E isto teria feito com que, lá, no combate ao racismo, os afro-descendentes se destacassem mais fortemente através da afirmação de suas expressões culturais específicas do que através da luta política, como em São Paulo, por exemplo. Entretanto, veja-se que personagens como Chico Rei, Ganga Zumba, Zumbi e Rainha Jinga, pertencentes ao universo banto, são também bastante freqüentes nos enredos que relacionamos.

    A África distante, cada vez mais

    A presença africana na música brasileira, pelo menos em referências expressas, vai se tornando cada vez mais rarefeita. Aparece, via Jamaica, no carnaval dos blocos afro baianos e nos sambas-enredo das escolas cariocas e paulistanas – especialmente nas homenagens a divindades. Mas nada de modo tão intenso como ocorre na música que se faz em Cuba e em outros países do Caribe.

    Mesmo com a explosão comercial da chamada salsa, a partir de Porto Rico e via Miami, na música afro-caribenha de hoje é raro um disco que não contenha pelo menos uma cantiga inspirada em temas da religiosidade africana e interpretada com fervor apaixonado. Tito Puente, Mongo Santamaría, Célia Cruz, Rubén Bladez e muitos outros são exemplos fortes, o mesmo não acontecendo no Brasil, pelo menos na música mais largamente consumida.

    No Brasil, o samba, a partir da década de 1990, apesar da voga inicial de grupos cujos nomes, mas só os nomes, evocavam a ancestralidade africana (Raça Negra, Negritude Júnior, Suingue da Cor, Os Morenos etc.), entendemos que foi se transformando em um produto cada vez mais fútil e imediatista para se preocupar com etnicidade. E isto talvez por conta do conjunto de estratégias de desqualificação que ainda hoje sustentam as bases do racismo antinegro no Brasil. É esse racismo que, no nosso entender, vai cada vez mais separando coisas indissociáveis, como o samba e a macumba, a ginga e a mandinga, a música religiosa e a música profana, desafricanizando, enfim, a música popular brasileira. Ou “africanizando-a” só na aparência, ao sabor de modas globalizantes made in Jamaica ou Bronx.

    Desafricanização, como sabemos, é o processo por meio do qual se tira ou procura tirar de um tema ou de um indivíduo os conteúdos que o identificam como de origem africana. À época do escravismo, a principal estratégia dos dominadores nas Américas era fazer com que os cativos esquecessem o mais rapidamente sua condição de africanos e assumissem a de “negros”, marca de subalternidade. Isto para prevenir o banzo e o desejo de rebelião ou fuga, reações freqüentes, posto que antagônicas.

    O processo de desafricanização começava ainda no continente de origem, com conversões forçadas ao cristianismo, antes do embarque. Depois, vinha a adoção compulsória do nome cristão, seguido do sobrenome do dono o que representava, para o africano, verdadeira e trágica amputação. Então, vinham as distinções clássicas entre “da costa” e “crioulo”, entre “boçal” e “ladino”.

    Acreditamos que a música popular brasileira, de raízes tão acentuadamente africanas, seja vítima de um processo de desafricanização ainda em curso. Senão, vejamos. Quando a bossa-nova resolveu simplificar a complexa polirritmia do samba e restringir sua percussão ao estritamente necessário, não estaria embutido nesse gesto, tido apenas como estético, uma intenção desafricanizadora? E quando a indústria fonográfica procura modernizar os ritmos afro-nordestinos (de maracatu para mangue-beat, por exemplo), não estará querendo fazer deles menos “boçais” e mais “ladinos”, pela absorção de conteúdos do pop internacional?

    Pois esse pop milionário, sem pátria e sem identidade palpável (mesmo quando pretende ser “étnico”), é exatamente aquela parte da música dos negros americanos que a indústria do entretenimento desafricanizou.

    Vamos Dizer não a Mudança da Festa da Lavadeira

  6. Roberto Cavalcanti disse:

    Parabenizo este importante site que é o “Portal do Cabo” pela excelente cobertura da nossa Festa da Lavadeira. Cobertura esta muito precisa e eficaz. O amigo Moura, cidadão comprometido com a justiça, informação, integridade etc. Dessa vez dando sua valiosa contribuição para a cultura do nosso município e consequentemente reforçando ainda mais essa integração cultural e tão mística.
    Portal do Cabo, 2011 estaremos novamente lá para comemorarmos a 25º Festa da Lavadeira.

  7. neto da vila Claudete disse:

    A Festa da Lavadeira é um Marco histórico de um evento cultural feito no Cabo há muitos anos e fico a me perguntar qual o grau de comprometimento do atual Gestor com esta festa?

    Será que ele pretende mudar o local da festa?

    Será que o mesmo terá a capacidade de deixar que estes milionários mandem na cultura de nosso Município?

    Ou será que vai dar uma de esquecido e dizer que não sabe de nada não é atoa que o mesmo viajou em busca destes investimentos será que o mesmo já não poderia ter visto esta questão?

    Vamos Dizer não a Mudança da Festa da Lavadeira

  8. Berenice arruda disse:

    Nossa quanta roupa suja esta sendo lavada aqui neste espaço democrático
    Também quero lavar a minha
    Na volta os cabenses sofrerão muito devido a falta de organização do transito local aqueles barzinhos de crianças montado na avenidas principal onde o enfoque é a garotada do Brega da cachaça, fizeram o maior vandalismos com seus carros parados na rodovia impedindo o transito local de fluir, onde não adiantava o apelos dos condutores de ônibus para que os delinqüentes retirassem seu veículos da via originado até uma briga entre um dos condutores que quase teve o veiculo depredado onde avia mulheres e crianças apavoradas foi um momento muito critico que eu nunca tinha passado espero Moura que estes que cuida do transito de nossa cidade possa pensar nestes bares que é uma verdadeira zona

  9. Quem será o responsável por não haver uma palavra nos jornais da GLOBO sobre a festa?
    Se ainda existe alguém achando que a festa continuará no local de costume pode começar uma mobilização em massa em defesa desta maravilhosa expressão cultural do nosso município, uma onda de protestos contra a imprensa verde (verde porque obedece a quem sinaliza com papel verde) pois pode divulgar a passeata pela maconha mais não disse uma palavra sobre a festa.
    GLOBO! Pernambuco no coração do bolso!

  10. CAETHANO disse:

    FESTA DA LAVADEIRA – UM ATO DE RESISTÊNCIA
    Por Genilson Caethano – Estudante de Direito
    Como faço há anos fui prestigiar ao evento 24ª Festa da Lavadeira, na Praia do Paiva, no Cabo de Santo Agostinho – PE, e fiquei transtornado com o tratamento discriminatório e preconceituoso que pude presenciar, dado pelos Grupos ODEBRECH, de origem alemã e o Grupo BRENNAND, de origem inglesa, sócios do Governo de Pernambuco na Parceria Público-Privada – PPP – no Empreendimento Complexo Viário do Paiva, onde os dois grupos, receberam uma concessão, para explorarem, através de pedágio o trecho em que realizaram as melhorias. Entretanto, há de se estranhar porque grupos empresariais deste porte estariam interessados em explorar um pedágio em Pernambuco, numa zona litorânea, sem um fluxo considerado de veículo, nem com perspectiva a longo prazo que justificasse o alto investimento, cuja exploração na relação Custo x Beneficio, não satisfaria a ganância por um lucro leonino destes conglomerados. Pois bem, por trás do primeiro empreendimento – Construção da Ponte de acesso a Praia do Paiva e Rodovia Interna – estava o grande filão do negócio, a exploração das terras da Praia do Paiva, de onde foi retirado o grande obstáculo imposto por ambientalistas, ONG’s de defesa do meio ambiente e Órgãos Governamentais, contrários a exploração daquela área, e que faziam uma forte oposição a qualquer tipo de exploração empresarial, além, críticas a alocação de recursos governamentais, visando facilitar a exploração imobiliária. Com a aprovação da PPP da Praia do Paiva tudo foi esquecido, tudo foi liberado, o mais importante agora passou a ser o desenvolvimento do Litoral Sul e a geração de emprego e renda, a qualquer custo. Daí em diante, foi só por em prática o velho dilema de Maquiavel “os fins justificam os meios” e, aterraram manguezais, derrubaram árvores centenárias, “expulsaram” moradores nativos e naturalizados, proibiram o acesso de pedestres, desincentivaram a prática da pesca – ao invés de profissionalizarem os pescadores com novas tecnologias, optaram por extinguir a prática, ofertando emprego e doando cesta básica, em troca da desocupação dos locais utilizados para a confecção artesanal de instrumentos usados na prática da pesca, que abasteciam famílias e comércios locais. Como se toda essa agressão ao meio ambiente e a população não bastasse e, para repelir ainda mais a presença dos descapitalizados – digo, pobres – o projeto das construções são claramente discriminatórios e elitistas, é a engenharia a serviço do Apharteid Social, os acessos dos banhistas a Praia, serão feitos por túneis, que mais parecem o caminho que os animais percorrem para o abatedouro, encoberto por imensos paredões de concreto e pedras preciosas, sobre as cabeças dos pobres mortais estarão as piscinas, campos de golfe, quadras de tênis, jardins e outros equipamentos de última necessidade. Bem, mas o que é que tudo isso tem a ver com a Festa da Lavadeira, é que agora, estes alemãs e ingleses resolveram declarar guerra ao Evento, que foi idealizado e é organizado pelo obstinado Eduardo Melo, que realiza a festa há 24 anos, todo dia 1º de maio, na Praia do Paiva, proporcionando lazer no feriado do dia do trabalhador e abertura de um espaço para a expressão do sincretismo religioso Afro-brasileiro, nas suas mais diversas manifestações. Foram muitas tentativas dos empresários junto aos órgãos públicos para impedir a realização do evento, como não obtiveram êxito, resolveram ilhar o local, fecharam com cercas e barricadas os acessos, vigiados por seguranças, obrigando as pessoas – aproximadamente 15 mil – andarem no barro, na lama, no mato e, à noite, às escuras, mais o povo resistiu e compareceu. A festa transformou-se num ato de protesto, com pessoas recolhendo assinaturas em abaixo-assinados, em pró da permanência da festa naquele local, enquanto os diversos grupos que se apresentavam nos palcos, se revesavam em mensagens de solidariedade e apoio ao organizador da festa. Entretanto, uma mensagem em especial me chamou atenção, foi de uma integrante do Afoxé Oxum Pandá, que resumiu num grito de indignação todo o sentimento de revolta daquele povo, “só se sabe o que é sofrer discriminação e preconceito quando se sente na pele”. Axé Eduardo Melo, Axé Festa da Lavadeira.

  11. Roberto Ramos disse:

    Caro amigo Moura, fico muito contente por você ter este veiculo tão democrático que é o Portal Cabo e o chamo de amigo por mais que não o conheço Pessoalmente mas já ganhou minha amizade por defenderes questões tão crucial para o nosso município.

    E nesta minha análise, tenho que concordar com sua matéria e veja que você foi a única mídia do nosso Município presente no local, onde você soube colocar a sua visão da grandiosa festa da lavadeira espero Moura que você esteja coberto de muito axé e Paz no seu coração um forte abraço
    Roberto Ramos

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