Barriga de aluguel: solidariedade ou aflição?

Barriga de aluguel: solidariedade ou aflição?

Todos Creditos
Por Aninha Camelo

“Olá, me chamo Daiane, tenho 26 anos e gostaria de alugar minha barriga. Vc quer ter um filho? Me ligue (62) -84769494.  Não possuo nenhum tipo de vícios. Sou completamente saudável.”

Hoje cedo, ao entrar no setor de administração do meu blog, me deparei com este apelo, que transcrevo acima  e com o qual inicio esta matéria . Alguém queria colocar o anúncio no meu espaço. De início ,pensei que fosse uma brincadeira. Mas veio o segundo email confirmando o primeiro.  Então, percebi que não era brincadeira não. Era verdade! Daiane queria mesmo alugar sua barriga e estava pendindo a ajuda da gente .Resolvi telefonar pra ela. Ela confirmou: “Quero sim. Li matéria sobre infertilidade no teu blog e por isto apelei pra você, Aninha, e  já te adianto o meu MSN, que é o  daiane_lemos_pereira@hotmail.com , pra você divulgar.” Então, era tudo verdade. Enviei algumas perguntas pra Daiane pelo email, pois eu tinha que saber um pouco mais sobre ela, que é casada e não tem filhos. Diaane me pediu para não  tornar públicos muitos detalhes a respeito da sua vida privada , como eu pretendia, alegando que o anúncio da barriga por si só certamente lhe proporcionaria muitas abordagens. Concordei com a minha leitora. Daiane me pareceu a mais doce das pessoas pelo telefone. Meiga e determinada, ela é natural de Minas Gerais e mora em Goiania. Já vi milhares de anúncios de barriga de aluguel na Internet. Mesmo assim, fiquei pensando no que leva uma pessoa alugar a própria barriga para outra.Solidariedade ou necessidade de dinheiro? As duas coisas.  Creio que cada caso é um caso. No Brasil, barriga de aluguel não é permitido, com raras excessões, mas vem sendo práticada por muitas  mulheres e nós sabemos disto. O que acontece com essas pessoas, aflição ou  vontade de ajudar? Só elas podem responder. Ao blog da Aninha Camelo  não cabe tomar partido sobre “alugar barriga”. O fato, entretanto, merece ser noticiado para que seja refletido pelas pessoas e o site tem obrigação de levar à análise de seus leitores situações excepcionais como esta, que geram matérias extraordinárias, e com a qual  acaba de se deparar. Abaixo, uma matéria redigida pela jornalista Fernanda d’Oliveira sobre barriga de aluguel ,para que vocês tirem as suas próprias conclusões ,não exclusivamente sobre  o episódio Daiane, mas a respeito desse assunto polêmico de maneira geral e que, por vezes,pretende tão somente realizar o sonho número um das mulheres, que é o de ter seu próprio filho.

Divulgação

Por Fernanda d ´Oliveira

O assunto é polêmico, já ganhou legislação específica, e está mais presente do que nunca. A barriga de aluguel, assunto aqui abordado,  é uma realidade. O assunto pode até incomodar. Porém está mais presente a cada dia no cotidiano de muita gente  que não pode carregar um filho e também no de pessoas menos favorecidas. O motivo deste comércio, cada vez menos inusitado, é pela falta de dinheiro., no país Esta é a justifica mais comum. E o blog da Aninha Camelo – de uma maneira isenta, como exige o jornalismo sério – está, sem querer, servindo de ponte em um caso. A leitora Daiane Lemos, de Goiania, ao ler uma reportagem assinada por mim, sobre infertilidade, com o médico Sebastião Teixeira, e que foi ao ar dia 15 de setembro último, entrou em contato com a redação online para anunciar o aluguel de sua barriga. Casada e com filhos, ela pretende fazer isto sem qualquer envolvimento emocional.

O fator ético é assunto de muita discussão. Tanto assim que a barriga de aluguel, citada apenas no fechamento da matéria sobre infertilidade, foi o que chamou toda a atenção da jovem de Goiania. A questão financeira pode estar acima de qualquer coisa, no Brasil, porque o método só é permitido aqui até parentes de 2º grau, para que não haja incompatibilidade sanguínea. “Caso aconteça um acordo e a mãe de aluguel não quiser dar a criança, vai ficar por isto mesmo. Para se ter a garantia, tem que ser de acordo com as leis brasileiras”, alertou, na época, dr. Sebastião Teixeira.

Mas nem com leis tão claras, as pessoas não demonstram medo. Não importam os riscos, parece, já que os sites na internet, para barriga de aluguel, aumentam a cada dia. São anúncios não só para aluguel, como de clínicas que realizam processos de fertilização. E, pelo quantitativo de anúncios, o comércio é rentável. E com via de mão dupla. Não são apenas as mulheres que querem alugar a barriga. Há os homens que querem ter filho, sem que haja um comprometimento emocional com a mulher. No final, a proposta é para estar todo mundo satisfeito.

Japão e Brasil (especificamente aqui em Pernambuco) já têm a experiência de mulheres que deram à luz os próprios netos. E não o aluguel, é claro, mas a experiência de ter na barriga um filho que não é seu, fez o site Superinteressante divulgar esta curiosidade: na década de 1990, pesquisadores da UNESP – Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho –  estudaram a transferência de embriões em animais ameaçados de extinção. Outro caso polêmico é o de Elpídio da Cruz Silva, adventista há mais de 20 anos, excluído da igreja em 2003, por não crer na doutrina católica da Santíssima Trindade e falar contra ela. A polêmica? A mãe de Jesus foi, ou não um caso de barriga de aluguel? Para não nos estendermos no assunto, o site é o adventistas, voltado para este assunto.

Sem qualquer atitude hipócrita, ou mesmo sem imitar o avestruz, que enfia a cara na terra e ignora o que está ao redor, temos que enxergar que os anúncios na internet proliferam: “Procuro casal infértil para fins de barriga de aluguel. Sigilo absoluto. Não possuo vício nenhum. Viagens só após conhecer casal” – Silene. “Estou me oferecendo como barriga de aluguel; preço 50.000. Sou uma pessoa saudável, tenho três filhos, sem pretensão de ter mais” – Mag. E como a via é de mão dupla, tem estes: “Procuro mulher para fins conhecidos como barriga de aluguel” – David. E “Preciso de uma mãe de aluguel…” – Luiz.

A prática da barriga de aluguel envolve questões delicadas. De um lado, mulher que passa por transformações físicas e psíquicas por conta da gravidez de uma criança que nunca será sua. Do outro lado está uma mulher que tem que recorrer ao útero de outra para realizar pela metade (afinal, não viu sua barriga crescer) o sonho da maternidade. É pisar em ovos durante meses. Mas a questão está aí: verdadeira, polêmica e, acima de tudo, real. Daiane e o blog estão numa relação, via internet, para que vingue um dos sonhos mais antigos das mulheres: o nascimento de um filho.

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