Banco de cordão umbilical no estado

Unidade vai funcionar no Hemope a partir de 2009, dando esperança a pacientes com doenças como leucemia e anemia
Todos os Creditos// Juliana Colares
julianacolares.pe@diariosassociados.com.br

Nova esperança para quem precisa de um transplante de célula-tronco hematopoética, também chamado de transplante de medula óssea. A partir do próximo ano, Pernambuco e outros sete estados brasileiros passarão a contar com bancos públicos de sangue de cordão umbilical e placentário. Inicialmente, o banco estadual, que funcionará na Fundação Hemope, terá potencial de armazenamento de 3.650 unidades de cordão. Número que será ampliado para sete mil.

Rafaella Carvalho/

Foto: Rafaella Carvalho/

Elder Borges, 20 anos, com a mãe: solução para o câncer graças ao método. Foto: Rafaella Carvalho/Divulgação
A estimativa é de que a capacidade plena seja atingida em três a cinco anos. A unidade pernambucana e a que será construída no Ceará serão as primeiras do Nordeste. As células-tronco do cordão umbilical e da placenta beneficiarão pacientes com doenças como leucemia e anemias, que precisam de um transplante. Em Pernambuco, há cerca de 120 pessoas nessa situação. A maioria, 94, não encontrou doadores compatíveis na família.

Segundo a coordenadora técnica do banco de cordão pernambucano, Carolina Militão, as vantagens dessa novidade são grandes. Por ser mais fácil de coletar (se faz com retirada de sangue do cordão e da placenta) e não precisar ser totalmente compatível, é mais fácil achar um doador em bancos de cordão do que de medula óssea. Carolina Militão explica que leva-se, em média, cerca de seis meses para encontrar um doador de medula compatível. Nesse tempo, há pacientes que não resistem. Já no caso de cordão umbilical, esse prazo diminui para um mês. “A coleta de sangue de cordão aumenta cerca de sete vezes a chance de uma pessoa conseguir um doador compatível. Isso é significativo quando se leva em consideração que só 30% das pessoas conseguem um doador compatível na família”, disse.

Segundo o supervisor do banco de sangue de cordão do Instituto Nacional de Câncer (que coordenará as oito novas unidades), Flávio Braga, em um transplante de medula convencional é preciso existir seis características genéticas iguais entre receptor e doador para ele ser considerado compatível. No caso do cordão,é preciso haver “apenas” quatro características iguais. Pernambuco receberá cerca de R$ 3,5 milhões para implantação do seu banco. Para isso, o laboratório de criobiologia do Hemope será expandido e readeqüado.

A diretora de Hemoterapia da fundação, Elizabeth Vilar, adianta que as obras devem começar no início de 2009, com prazo de conclusão de 90 dias. A previsão para início das atividades é no segundo semestre do próximo ano. Novidade que reforça as esperanças de Leonardo (nome fictício), 47 anos. Morador do Recife, ele tem mielodisplasia, doença que o impede de produzir sangue de forma adeqüada. A enfermidade apresenta o risco de se transformar, inclusive, em uma leucemia aguda. Sem contar o perigo de desenvolvimento de infecções graves. Sua única chance de cura é o transplante de célula-tronco hematopoética. O investimento na construção dos oito bancos e na ampliação dos quatro já existentes é de R$ 31,5 milhões, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Utilizar cordão de um banconacional custa ao SUS R$ 3 mil. Se for de unidade internacional, o valor sobe para cerca de R$ 50 mil.

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