Vida nova em Massangana

Vida nova em Massangana

Por: Pollyanna Diniz // Diario
pollyannadiniz.pe@diariosassociados.com.br

Há 160 anos, nascia o escritor abolicionista Joaquim Nabuco na Rua da Imperatriz, no Recife. Mas até os oito anos
Projeto de restauração prevê a instalação de um museu interativo, dedicado ao açúcar, à memória cultural e a Joaquim Nabuco.

Portal Cabo Massangana

Foto: Cehibra /Divulgação

Foi no cenário de um engenho de cana-de-açúcar em que Nabuco viveu. Nos seus escritos, anos mais tarde, o pernambucano registrou em palavras a paisagem, o cotidiano, a escravidão da época. “Nunca se me retira da vista esse pano de fundo da minha primeira existência# A população do pequeno domínio, inteiramente fechado a qualquer ingerência de fora, como todos os outros feudos da escravidão, compunha-se de escravos, distribuídos pelos compartimentos da senzala, o grande pombal negro ao lado da casa de morada (#)”, relatou Joaquim Nabuco. O engenho de que trata o abolicionista é o Massangana, no Cabo de Santo Agostinho, que deverá ser reformado e transformado em espaço cultural pela Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj).

Desde dezembro do ano passado, um grupo de trabalho está debruçado sob tópicos como história e arqueologia, conservação, arquitetura e paisagem, para tentar estruturar um projeto que estabeleça “um uso capaz de garantir a preservação do conjunto arquitetônico e paisagístico, cuja dinâmica do local resulte na sua própria sustentabilidade”, explica Rúbia Campelo, coordenadora geral do Espaço Cultural Mauro Mota, vinculado à Diretoria de Cultura da Fundaj. Para ajudar nesta tarefa, o consultor inglês Brian Bath, especialista na concepção de centros e exposições culturais, esteve no Recife no ano passado e deve voltar à cidade ainda neste primeiro semestre.

Definir um uso autossustentável para o patrimônio histórico é o diferencial do projeto, já que um centro cultural e uma pousada já funcionaram no local, mas não conseguiram se manter ao longo dos anos. “A restauração é o passo mais fácil. O problema é atribuir uma utilidade viável para um conjunto que está desativado”, explica o professor da UFPE Geraldo Gomes, autor do livro Engenho e arquitetura. “Nós ainda estamos discutindo, dessa vez com um grupo de muitos especialistas e instituições parceiras, como será esse espaço. Gostaríamos que fosse algo mais interativo, dedicado ao açúcar e à memória cultural e histórica de Pernambuco, além da história de Joaquim Nabuco”, complementa Rúbia.

Em um estado que construiu a sua força econômica com bases históricas nos engenhos de açúcar (o que faz com que Pernambuco tenha mais de 150 engenhos), o maior trunfo do Massagana não é o seu conjunto arquitetônico ou poderio econômico, mas o fato de Joaquim Nabuco ter vivido no local. Além disso, a localização geográfica – no Cabo de Santo Agostinho, rota de passagem para as praias do Litoral Sul e seus resorts – pode impulsionar a visitação do lugar, tanto por turistas quanto por interessados em conhecer a cultura açucareira.

Reformas – Tombado pelo Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco, o conjunto arquitetônico, de 10 hectares, que os pesquisadores acreditam ser datado do século 18 foi reformado em 1870. A casa-grande e a capela, apesar de preservadas, precisam de obras.”A estrutura exige reformas. Os projetos de restauração, estimados em R$ 500 mil já estão prontos e devem ser licitados”, explica Antônio Montenegro, coordenador-geral do Laborarte, setor de conservação e restauração do acervo da Fundaj. Tanto a casa- grande quanto a capela não têm mais mobiliário de época. “Apenas esculturas de louça e cimento, que ficavam na entrada da casa-grande estão guardadas”, acrescenta Montenegro.

Se o cronograma for cumprido, a expectativa é de que a capela e a casa-grande fiquem prontas até o fim de 2010. Antes disso, ainda no período de reformas, a expectativa é de que o local possa receber o público em visitações guiadas.

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