Apelo por ensino melhor nas escolas do Cabo

Apelo por ensino melhor nas escolas do Cabo

Do Jornal do Commercio

Mais de 300 alunos da Escola Municipal Marquês do Recife, localizada no distrito de Jussaral, Cabo de Santo Agostinho, estão sem aulas. Não por falta de professor, de livro didático ou de material escolar. O ano letivo ainda não começou por decisão dos pais dos estudantes. Diante da precária situação do prédio, eles preferem manter as crianças em casa até que a Secretaria Municipal de Educação tome providências e reforme o prédio. Segundo os pais, paredes dão choque, há infiltrações, salas ficam alagadas quando chove, banheiros não têm condições de uso e vigas do telhado estão podres. O colégio é o único da comunidade, que tem aproximadamente seis mil habitantes.

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“É um desrespeito. As crianças em casa, sem estudar. Só eles se prejudicam, mas não dá mandá-los com a escola desse jeito”, diz a dona de casa Maria Lúcia dos Santos, mãe de oito filhos, dos quais quatro alunos da escola. “Estou decepcionado com a prefeitura. Envergonhado e triste por deixar meu único filho nessa escola. Infelizmente não tenho condições de colocá-lo para estudar em outro lugar”, desabafa o vendedor Carlos Antônio Lima. “Mais para frente a gente vai se atrapalhar. Queria que tivesse aula. Mas a escola está muito ruim”, lamenta o estudante Welington José da Costa, 13 anos, aluno da 6ª série. A localidade mais próxima do distrito, o município de Vitória de Santo Antão, fica a 25 quilômetros (sendo oito quilômetros de estrada de barro).

Em junho do ano passado, parte do muro da escola desabou num dia em que choveu bastante. Desde então, sete salas de aula, que ficam em um prédio anexo, foram interditadas. As turmas tiveram que se ajustar nas outras sete salas do prédio principal. “Mas desde 2007 pedimos à Secretaria de Educação que reforme a escola, sem nenhuma resposta”, conta o presidente do conselho escolar e líder comunitário Rinaldo Monte da Silva. Diante das dificuldades de funcionamento no ano passado, metade dos alunos pediu transferência para colégios de Vitória. Em 2008 havia matriculados, na unidade de Jussaral, cerca de 780 estudantes.

Segundo Rinaldo, o colégio ganhou 20 computadores, por meio de dois programas federais. As máquinas ainda estão na caixa, guardadas em uma sala, porque não há espaço para instalação de um laboratório. Caixas de brinquedos Lego, usados para aulas de robótica, tiveram o mesmo destino. Estão amontoadas em um banheiro. Em outra sala foram guardados os livros didáticos. O problema é que o espaço tem infiltração e alguns exemplares molharam. Caixas com kits escolares, enviados pela Secretaria Municipal de Educação, com mochila, cadernos, lápis, canetas, borrachas, cola e réguas, ainda não foram repassados para os alunos, uma vez que o ano letivo não começou.

Semana passada, quando o JC visitou a escola, mais de 30 pais se reuniram para denunciar a situação do colégio. Com cartazes, protestaram contra a prefeitura. “A Secretaria de Educação soube que vocês da imprensa viriam, por isso mandou funcionários para capinar o mato”, contou o pastor José Sabino, que também tem filhos no colégio.

Resposta:Imóvel adaptado abrigará alunos até fim de obras

Ainda este mês, estima a secretária de Educação do Cabo de Santo Agostinho, Gildineide Fialho, o edital de licitação para reforma da Escola Municipal Marquês do Recife, no distrito de Jussaral, será lançado. Enquanto isso, um outro prédio da comunidade deverá ser adaptado, com divisórias de madeira, para abrigar os estudantes.
“Não começamos o ano letivo lá porque os pais não quiseram. Um engenheiro visitou a escola e emitiu um laudo que informa não haver risco para os estudantes. Mas os pais preferiram não mandar as crianças”, afirma Gildineide. “Se eles quiserem, na próxima segunda-feira (hoje), o ano letivo pode ter início pois o prédio não está comprometido”, observa.

Uma planta com a reforma, que segundo a secretária vai modificar completamente o prédio, já está pronta. “A escola de Jussaral é prioridade do prefeito Lula Cabral. Será totalmente reformada. Não realizamos a licitação ano passado por causa da lei eleitoral. E este ano, não fizemos em janeiro porque o ano fiscal só permite a partir de fevereiro”, explica. A previsão é de que as obras comecem no meio do ano, com conclusão no final do ano, pois o processo licitatório dura entre 90 e 120 dias.

Gildineide afirma estar preocupada com a situação dos alunos, mas assegura que os 200 dias letivos, exigidos pela legislação, vão ser cumpridos. Para isso, não haverá recesso no meio do ano. “Temos consciência de que a situação lá é crítica e queremos modificá-la”, comenta Gildineide. Ano passado, segundo ela, foram priorizadas outras escolas que estavam em estado mais crítico.

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