Nós e os outros

Nós e os outros

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Não sou “Jesus” mas me interesso sobre tudo que diga respeito à Madonna. O que os jornais escrevem sobre ela, leio. Devo dizer que não gosto muito da Madonna cantando, gosto muitíssimo da Madonna dançando.

Pois bem, lendo sobre a loira italiana, sim, ela é italiana feita americana, lendo sobre ela, achei uma frase que não me é nova, mas é altamente contestável.

Madonna diz que…

Pobre do ser humano cujos prazeres dependem da permissão dos outros…

Se a Madonna dissesse isso no meu programa de rádio, eu perguntaria a ela antes de mais nada: O que é liberdade?

Tomamos por liberdade ir e vir? Ir e vir até onde? Liberdade é fazer tudo de que gosto? Quando, onde? Liberdade é desconsiderar o que os outros fazem, dizem, restringem? Como?

Baita bobagem disse a Madonna. Às vezes tenho vontade de escrever aqui coisas que seriam inaceitáveis, no dia seguinte eu estaria na rua, desprezado por quase todos e tratado como um infecto-contagioso. Não me posso dar essa “liberdade”.

No casamento, bah, no casamento, Santo Deus, desaparecem todas as liberdades, todas, eu disse. Para ele e para ela.

Quer dizer, vivemos numa masmorra de limites, proibições, deves e não-deves, ordens e punições. Não somos livres para nada, nem mesmo para controlar o nosso corpo, pelo contrário, ele nos controla.

Então é bom que paremos com essa história tola de nos vermos como presidiários da vida. Somos sim presidiários da vida. Que aproveitemos então intensamente da nossa liberdadezinha para tomar o banho de sol nas poucas coisas que sobre elas arbitramos. E que coisas seriam essas, Santo Deus, até hoje não as achei… nada que me console.

A leitora aí, o leitor, eu por aqui, todos nós podemos agora, neste momento, fechar a gaveta das responsabilidades, dar um giro sobre o corpo e sair por aí, mãos nos bolsos, sem olhar para trás. Podemos. Podemos deixar tudo, tudinho, agora, agora mesmo e sumir.
Não andaríamos meio metro e os sentimentos de culpa, as obrigações sociais, familiares, religiosas, éticas, o diacho, tudo nos faria dar meia-volta e retornar à senzala.

Não temos saída, temos é que viver sim sob o império dos olhos alheios, dos conceitos sociais, das responsabilidades desejadas ou não, de tudo o que nos conceitua na vida. Talvez aí esteja um pequeno gozo de liberdade, colher dos frutos um dia plantados em forma de conceitos pessoais. Só sou livre para gozar desses frutos. E nem isso consigo.

Quando ganho um elogio os outros têm que ficar sabendo, dependo deles, ouviste, Madonna?

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