COM QUALIFICAÇÃO NA MÃO EMPREGO QUE É BOM NADA

COM QUALIFICAÇÃO NA MÃO EMPREGO QUE É BOM NADA

Por: Rosa Falcão
rosafalcao.pe@diariosassociados.com.br

Seis meses de qualificação com treinamento num canteiro escola para operar máquinas pesadas e arranjar emprego nas obras de Suape.
Desemprego

Foto: Hélder Tavares/DP/D.A Press

Josué Santos, Carlos Henrique Belo e Djalma Silva não conseguem trabalhar na área em que fizeram cursos.

O sonho de muitos dos 850 trabalhadores matriculados no Planseq Petróleo e Gás Natural em Pernambuco até agora não passa de um pedaço de papel. Certificado em punho, ex-alunos vão quase todos os dias às agências do trabalho em busca de uma vaga, e nada. Qualificados para as obras do Estaleiro Atlântico Sul, da Refinaria Abreu e Lima e pólo petroquímico, eles batem à porta das construtoras e empreiteiras. A resposta é a repetição de um mantra: sem experiência não tem emprego.

Djalma Torres da Silva, 45 anos, ensino médio, participou de dois cursos de qualificação (operador de caçamba e operador de pipa) na escola do Senai em Ipojuca. Três anos desempregado, ele agarrou a oportunidade. “Fiz o curso na esperança de sair empregado. Até porque aqui falta mão de obra especializada na área de máquinas pesadas”, conta. A realidade é bemdiferente. Desde que terminou o curso, Djalma corre atrás de uma colocação, mas não consegue. Sem emprego, o trabalhador sobrevive de bicos para sustentar a família: “Tenho que rebolar. Às vezes saio de manhã até com fome”.

Na expectativa de emprego com bom salário, Carlos Henrique Belo, 37 anos, pediu demissão e se inscreveu na Agência do Trabalho para disputar uma vaga nos cursos. Após seis meses de aulas teóricas e práticas, Carlos está inconformado porque não consegue uma vaga de operador de máquinas. Certificado na mão ele já visitou algumas construtoras que têm obras em Angola e na Líbia, e claro, pagam bem. “Sem experiência no mínimo de dois anos a gente não passa da recepção. São cursos bons, pioneiros, mas faltou o governo planejar a porta de saída dos trabalhadores qualificados”.

Antes de entrar no curso de operador de motoniveladora, Josué José dos Santos, 40 anos, conta que fez uma pesquisa de mercado e comprovou que havia demanda de mão de obra na área. Após concluir o curso ele ficou mais trêsmeses no canteiro-escola. Tanto esforço, por enquanto, de nada adiantou. “Já fui em várias empresas e no sindicato, mas nem para entrevista eu sou chamado”, dispara. Desempregado há oito meses, Josué sobrevive dirigindo um táxi. “Tenho que fazer alguma coisa para pagar as minhas contas”, se conforma.

Os planos setoriais de qualificação são montados pelo Ministério do Trabalho e Emprego com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), a partir das necessidades dos canteiros de obras. Aqui em Pernambuco, a instalação do estaleiro e da refinaria em Suape demandou pessoal para os serviços de terraplanagem e construção civil. A falta de mão de obra especializada fez com que as empreiteiras importassem trabalhadores de outros estados, como Ceará, Rio Grande do Norte, Bahia e Minas Gerais. A invasão do mercado é mais uma queixa dos pernambucanos que passaram pela qualificação e ainda não tiveram a chance do emprego.

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