Fraudes continuam principalmente no uso do cartão VEM Trabalhador

Fraudes continuam principalmente no uso do cartão VEM Trabalhador

Temos tecnologia, mas não acabamos com as fraudes nos ônibus

População recomeçou a vender e alugar os cartões sem qualquer constrangimento

Materia : JC Online

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A mudança da tecnologia utilizada nos ônibus que circulam na Região Metropolitana do Recife não foi suficiente para acabar com as fraudes. A nova bilhetagem eletrônica trouxe benefícios, como o carregamento embarcado e o cartão sem contato, mas as fraudes continuam, principalmente no uso do cartão VEM Trabalhador, que substituiu o vale-transporte eletrônico. Apesar da evolução, o sistema não conseguiu se livrar do uso indevido do benefício, o que é ruim porque aumenta os custos da operação. E, no fim de tudo, termina pesando no bolso do passageiro, especialmente aquele que não usufrui de nenhum tipo de benefício.

A verdade é que, menos de quatro meses depois de o novo cartão entrar em operação, a população recomeçou a vender e alugar os cartões sem qualquer constrangimento. E o que é mais grave: há falhas no sistema que têm impedido a polícia de agir. Em dois casos distintos ocorridos no Recife e no Cabo de Santo Agostinho, quando grupos foram flagrados comercializando diversos exemplares do VEM Trabalhador de terceiros, os delegados da Polícia Civil não identificaram a prática de crime. Resultado: os grupos prestaram depoimento e terminaram livres.

Até agora, delegados e promotores estão quebrando a cabeça para encontrar uma forma de enquadrá-los na lei. Em relação ao último flagrante, ocorrido no Cabo, o delegado titular do município, Marcos Antônio da Silva pretende encaminhar o caso ao Ministério Público, para que o promotor se pronuncie. No entendimento do delegado, não há crime. E ele explica o motivo: “Comercializar os cartões não configura estelionato nem falsidade ideológica. Para ser estelionato, teria que haver o prejuízo a alguém e ele não existe porque o crédito é do trabalhador, sendo-lhe permitido fazer o que quiser com ele. Não há dano, também, para o Grande Recife Consórcio de Transporte porque o órgão recebeu o pagamento desse crédito anteriormente.”

Segundo Marcos Antônio, para configurar falsidade ideológica seria necessário flagrar a pessoa usando o cartão de terceiros no ônibus, o que é difícil operacionalmente. Até porque estamos falando de 400 mil cartões em circulação, somente do VEM Trabalhador. Se não for assim, pondera o delegado, não há crime. “Pelo menos é essa a avaliação que eu tive e que foi a mesma da equipe responsável por outro caso. O sistema é falho, sem dúvida. E a única forma de coibir essas fraudes, no meu entendimento, é os cobradores passarem a cobrar a apresentação de um documento de identificação no ato do pagamento da passagem. Esse documento, com foto de preferência, seria conferido com o VEM Trabalhador, onde está indicado o CPF e o nome do verdadeiro proprietário do cartão”, indica o delegado.

Na avaliação dos empresários de ônibus do sistema, é quase impossível impedir a prática desse tipo de fraude. Para eles, cabe ao empregador ter o controle sobre o uso indevido do benefício dos funcionários. Já o Grande Recife Consórcio de Transporte vem tratando do assunto com a Secretaria de Defesa Social (SDS), na tentativa de uniformizar um procedimento padrão para ser aplicado por todos os delegados em casos de flagrantes de comercialização.

Para a polícia, comercializar o cartão VEM Trabalhador não configura crime. É preciso que a pessoa seja pega em flagrante pagando a passagem na catraca com o cartão de um terceiro

MAIS CONTROLE DO VEM
Ainda falando do cartão VEM Trabalhador, o Grande Recife Consórcio de Transporte proibiu o pagamento de várias passagens num mesmo ônibus, como vinha acontecendo até a semana passada no sistema. A prática estava sendo permitida desde que a tecnologia da bilhetagem eletrônica foi mudada, há quatro meses. Pelas regras, o passageiro que utiliza o VEM Trabalhador ou o VEM Estudante tem direito a usar até oito passagens por dia, mas sendo uma por sentido. Dessa forma, evita-se que a pessoa pague diversas passagens com um mesmo cartão. A prática ficou liberada por falha na tecnologia, corrigida somente agora. O Grande Recife argumenta que o VEM Trabalhador e o VEM Estudante são cartões pessoais e intransferíveis e, por isso, devem ser usados apenas pelo titular.

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Comments
2 Responses to “Fraudes continuam principalmente no uso do cartão VEM Trabalhador”
  1. Floost disse:

    Are you a professional journalist? You write very well.

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