Descobrindo vocações em Tatuoca

Descobrindo vocações em Tatuoca

Moradores da ilha, em Suape, que não conseguiram emprego terão a chance de identificar suas capacidades para serem inseridos no mercado de trabalho
Por:Micheline Batista // michelinebatista.pe@dabr.com.br

Depois de idas e vindas e muita discussão com a comunidade, tudo indica que o Programa Tatuoca finalmente deslanchou e contempla, senão todos, pelos menos a maioria dos moradores da Ilha de Tatuoca, em Suape. Primeiro, em 2008, 57 moradores foram alfabetizados e 35 deles acabaram sendo contratados para trabalhar tanto na parte administrativa quanto na operação do Estaleiro Atlântico Sul. Agora, os adultos que não conseguiram emprego e que não possuem fonte de renda estão tendo uma chance de descobrir suas vocações produtivas e se inserirem no mercado.


Benedito Elias da Silva. Foto: Inês Campelo/DP/D.A Press

O Programa Tatuoca foi a forma encontrada pelo Estaleiro Atlântico Sul para promover a inclusão dos vizinhos que ali nasceram, cresceram, criaram seus filhos e dali tiram seu sustento através da pesca e da extração de frutas. Entretanto, essa relação nem sempre foi tranquila. Os moradores da ilha acompanham de perto a expansão do Complexo Industrial Portuário de Suape há 30 anos, mas nunca tinham mexido em Tatuoca. Isso até 2007, com a chegada do estaleiro, um gigante que ocupa uma área equivalente a 400 campos de futebol.

Entre aterros e dragagens, tudo o que os moradores de Tatuoca queriam era participar, de alguma forma, de todo aquele desenvolvimento que chegava a Suape. “Sou de uma época em que não existia nem Porto de Suape. Aqui era uma ilha e a gente vivia de pesca. Muitas empresas chegaram e nada fizeram. A gente era esquecido”, conta Benedito Elias da Silva, 52 anos. Ele já trabalhou em construtora como vigia e auxiliar de serviços gerais, mas gosta mesmo é de viver no sítio, criando suas galinhas, fazendo redes e pescando. “Tenho pouco estudo, estudei só até a quarta série (do ensino fundamental)”, justifica.

O Programa Tatuoca veio para beneficiar pessoas como Benedito. A atual fase, que visa à geração de renda, dá uma cesta básica para cada participante e uma bolsa mensal de R$ 200. “Contratamos uma consultoria para identificar a vocação existente e qualificá-los, possibilitando a geração de renda através da venda de artesanato. Se for a vontade da maioria, vamos apoiar a formação de uma cooperativa para escoar a produção”, explica a coordenadora de responsabilidade social do estaleiro, Denilde Viana.

A ONG I.D.E.I.A vai conduzir o trabalho com 22 moradores durante um ano. Nos primeiros encontros, os ilhéus receberam noções de relações interpessoais e comunicação. Ontem, eles iniciaram o processo de identificação de habilidades. Cícero Damião Ferreira, 50, criou 12 filhos pescando e vendendo frutas como manga, caju e mangaba, no Cabo de Santo Agostinho. “Quando não tem fruta eu fico parado, matando cachorro a grito. Mas eu sei fazer rede, tarrafa, bolsa, cova (espécie de armadilha para pegar moreia e siri), samburá. Só não sei roubar”, diz. Eis a sua vocação.

Eliane Vicente de Souza, 35, é de Palmares (Mata Sul do estado) mas mudou-se há nove anos para Tatuoca, após casar-se com um ilhéu. Dona de casa, engajou-se no programa para arranjar uma “atividade”. “Fiz exame para trabalhar no estaleiro mas não passei. Fiquei triste, mas logo esse sonho foi apagado”. Eliane tem vontade de costurar. “Meu maior sonho é aprender a costurar para fora e poder ganhar um dinheirinho”, revela. Presenteada por uma amiga com uma máquina usada, ela começa a costurar as primeiras peças de uma nova vida.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: