Hamilton, o coveiro que vai se tornar advogado

Hamilton, o coveiro que vai se tornar

advogado

Coveiro Amilton

A Igreja de Nossa Senhora de Nazaré, no Cabo de Santo Agostinho, é uma das mais antigas do Brasil. Ela foi construída no século 16. Por trás deste tesouro histórico, fica um cemitério. Local de trabalho do coveiro Hamilton Correia da Silva, de 41 anos. Ele, que já perdeu as contas de quantas atividades exerceu ao longo da vida, hoje cuida com zelo das sepulturas.

“Já trabalhei como desenhista publicitário, desenhei outdoor, trabalhei no comércio, fiz cartazes, fui vitrinista, fui operador de máquina. Hoje eu sou coveiro e não tenho vergonha de dizer que sou coveiro. Em todo o canto que chego, perguntam qual minha profissão e sempre digo que sou coveiro”, revela.

Até aí, Hamilton seria mais um como tantos trabalhadores que lutam para garantir o sustento da família. Mas um fato diferencia a história deste coveiro. É que o trabalho no cemitério está com os dias contados quando se formar em alguns anos no curso de Direito.

Hamilton está no quarto período, metade do curso. E é no intervalo das atividades no cemitério que Hamilton aproveita o silêncio para se concentrar nos estudos. “É indispensável o silêncio, a paz e a tranquilidade. Caso contrário, não conseguiria aprender nada em relação a leis”, explica.

Depois do expediente, começa a outra jornada: a de estudante universitário. O caminho é longo. Para chegar na faculdade, que fica no município vizinho, em Jaboatão dos Guararapes, Hamilton precisa pegar três ônibus. São duas horas de viagem.

O salário que ganha como coveiro é de R$ 521. Mais da metade vai para pagar a mensalidade do curso de Direito. Para os companheiros de curso, Hamilton é um estudante atento, esforçado. Um exemplo para os colegas.

“Eu vejo como grande incentivo para as pessoas que às vezes se acham impossibilitadas de estudar, mas que com força de vontade, com determinação e com muita fé certamente vai obter êxito”, diz a estudante Maria Ilka Fonseca.

“No curso de Direito, até um tempo atrás, só ingressava nele a classe mais favorecida. E um coveiro na hierarquia das classes não está nesta. E ele por ser coveiro e estar cursando serve de exemplo para que outros venham também alcançar seu objetivo, se tiver um sonho parecido com o dele ou igual”, destaca o também estudante Elmano Araújo.

O professor, Ricardo de Sá Leitão (foto 6), dá nota máxima a Hamilton quando o assunto é determinação e perseverança. “Hamilton às vezes chega aqui à noite, lutando contra o sono, porque afinal de contas a carreira de coveiro tem horários inglórios e bastantes inconvenientes, mas ele duela com o sono, assim como duela com tantas outras dificuldades contra as quais ele já se bateu na vida, com um contagiante entusiasmo daqueles que ousam sonhar.”

O sonho completo ainda não se realizou, mas o resultado de tanto esforço já é uma recompensa preciosa. “Para mim isto é um grande prêmio. É uma grande vantagem porque isto é oferecido a poucas pessoas. Então, para mim chegou a hora de aproveitar. E agora, só quero continuar estudando por enquanto. Minha meta é estudar, estudar e estudar.”

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