Microcrédito financia classe pobre

Microcrédito financia classe pobre

Tese de Doutorado //

No Nordeste, empréstimos funcionam como uma ferramenta fundamental para o desenvolvimento social
Por:Augusto freitas
augustofreitas.pe@dabr.com.br

Quem sonha em abrir uma micro ou pequena empresa muitas vezes esbarra no acesso ao crédito bancário, essencial para iniciar a atividade. Na Região Nordeste, uma das mais carentes de recursos, o microcrédito é uma ferramenta fundamental para o desenvolvimento social. Foi justamente essa região o motivo de um estudo inédito sobre o panorama dos financiamentos para as classes mais pobres.

Denominada “Efeitos e contradições do microcrédito”, a tese de doutorado foi defendida pela diretora executiva da Agência Nacional de Desenvolvimento Empresarial (Ande), Elza Fagundes, no mês passado, no Centro de Ciências Sociais Aplicadas (CSSA), da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). A pesquisa aprovada, feita de modo quantitativo-qualitativo e inovadora pela sua abrangência socieconômica, apresentou, entre outros aspectos, um raio-X do setor na região e abre um precedente no estudo das microfinanças no Brasil.

Gyselle Tavares, 22, dona de um mercadinho próximo ao antigo terminal de ônibus de Santa Mônica, em Camaragibe, na Região Matropolitana do Recife (RMR) é uma das beneficiadas pelo microcrédito oferecido pela agência. Há dois anos, Gyselle e o marido, André Marcelino, 30, fizeram o primeiro empréstimo na agência, de cerca de R$ 4 mil. Até dezembro do ano passado, o casal obteve aproximadamente R$ 16 mil em mais dois empréstimos para diversificar as mercadorias e a estrutura. Segundo Gyselle, o tempo das “vacas magras” acabou.

“Não conseguia os empréstimos em instituições bancárias por conta da burocracia e porque meu marido nunca pode ser avalista. Com a Ande, as parcelas são acessíveis, dentro do orçamento planejado. A renda do mercadinho já ajudou a comprar nossa casa, além de oferecer outros prazeres, como viajar”, confessa Gyselle.

Uma das conclusões da pesquisa diz respeito ao crescimento das mulheres como empreendedoras. A Ande, inclusive, tem uma clientela de aproximadamente 74% de mulheres. Além de investir no próprio negócio, elas retornam parte do seu lucro para enriquecer a qualidade de vida das famílias. De um modo geral, 94% das entrevistadas afirmaram que o acesso ao microcrédito possibilitou mais informação em relação às atividades econômicas.

De acordo com Elza Fagundes, o papel da agência, que ajudou mais de 80 mil pessoas nos últimos quatro anos, tem sido decisivo para a população carente que não consegue abrir seu negócio. “O estudo comprovou que 41,36% dos participantes aumentaram sua renda. Desse total, 27,1% informaram que a razão do incremento da renda foi a expansão do negócio e das receitas”, afirmou.

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