Lucro é bênção

Depois de umas ferias merecida o Polemico Prates volta

com força total com suas materias aqui no Portal Cabo

Lucro é bênção

Detesto a expressão “inclusão social”. Do modo como ela é usada, significa ajudar a vadios que ficam à espera de favores, de bolsa disto, bolsa daquilo, cota daqui, cota dali, e de bom, mesmo, nada fazem. Ficam é esperando. Odeio essa maldita expressão.Vou dar um exemplo — voltar a ele — de um sujeito que foi cruelmente assassinado e que era o meu maior exemplo vivo de um sujeito que saiu do nada para o quase tudo. E se digo quase é porque ele foi morto — há duas semanas, num crime de puro banditismo — sete meses antes de se formar em Medicina.

Já falei dele aqui, Alcides Nascimento Lins, 22 anos, pobre, muito pobre, negro e filho de mãe papeleira. Da miséria absoluta, Alcides chegou à condição de primeiro colocado no vestibular de Medicina da Federal de Pernambuco. Não é para quem quer, é para quem tem vergonha na cara. Alcides não fez cursinho, estudou em casa, depois das aulas, aluno de colégio público, e ia para a Biblioteca Municipal do Recife para estudar em livros “velhos”…

Alcides passou para trás os bonitinhos da elite pernambucana, sem ajudas, só com o esforço pessoal, da mãe e de sua determinação.

Fico buzina da vida quando alguém me vem com a história de que é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino dos céus…

Por que, os ricos são necessariamente safados? E os pobres ladrões, canalhas e mentirosos? Será que o são só por serem pobres?

Estamos na Campanha da Fraternidade, cujo tema este ano é Economia e Vida — na verdade, uma crítica ao capitalismo.

Veja só que estupidez eu li num jornal sobre a campanha:

A campanha denuncia a perversidade de todo modelo econômico que vise em primeiro lugar ao lucro, sem se importar com a desigualdade, a miséria e a fome…

O Alcides — o rapaz a quem me referi — estava saindo da miséria sem ajudas, ninguém precisa de ajuda quando tem vergonha na cara, estuda, trabalha e tem fé em si mesmo.

E que história é essa de que lucro é pecado? Quem foi o estúpido que inventou isso? Sem lucro não há negócios, sem negócios não há comércio, sem comércio não há empregos, não há salários… os néscios não sabem disso?

O pecado não está no lucro, está na desonestidade, o que é diferente. Viva o lucro, o capitalismo e a liberdade. O mais é choro de vadio que quer ajudas…

Por que, Senhor?

Por nada eu gostaria que este fosse o meu assunto ao voltar das férias. Estou voltando hoje. A notícia está comigo há cinco dias. Queima-me o peito, faz-me arder uma surda tristeza e um ódio assassino.

A minha pergunta tem sido por quê? Por que, Senhor, por que tem que ser assim? Acaso será isso “destino”? Eu não creio no destino, não no destino dado por um Deus. Costumo dizer que se houvesse destino dado por Deus, Deus seria um formidável patife. Ele estaria a distribuir “roteiros” diferenciados entres seus filhos… Uns seriam bonitos, outros feios. Uns ricos, outros pobres. Uns saudáveis, outros doentes… E desses destinos não poderíamos fugir. Que Deus seria esse, o que teríamos feito para receber tão diversos e maléficos destinos? Não, não creio num destino divino.

A notícia que me arde o peito era uma das minhas histórias favoritas, eu a contava com ênfase nas minhas palestras em escolas. Uma história de superação pessoal, de lutas, de fé e de vitória. Vitória?

Conto em minhas palestras a história de Alcides Nascimento Lins, 22 anos, negro e muito pobre. Conto? Contava. A história morreu.

Soube do Alcides no Globo Repórter. Maria Luíza, a mãe dele, é papeleira no Recife, com os papéis velhos que recolhe alimenta a casa e educa os filhos. E que educação! Três filhos, Alcides e duas irmãs.

Alcides estudou em colégio público, na preparação para o vestibular pesquisava na velha Biblioteca Municipal do Recife, sem ajuda de ninguém senão da mãe. Sem cota, sem bolsa de estudos, sem nada, a vontade, a decência e a força da mãe.

A cama do Alcides foi feita com madeiras velhas juntadas pela mãe nas hora de folga. A casa é de chão batido, uma única janela e um velho galo branco ciscando por perto.

Alcides passou no vestibular de Medicina da Universidade Federal de Pernambuco. Passou? Foi o primeiro colocado geral no vestibular. Fazia estágio num hospital de Recife, seria médico este ano.

Seria. Alcides foi assassinado por engano com dois tiros na cabeça. Isso é justo? É justo, Senhor? O que fez o Alcides para morrer como morreu? Maria Luíza, a mãe papeleira, fez-me chorar muito ao vestir, no sepultamento do filho, o jaleco branco que ele usava no hospital onde era estagiário.

Que ódio assassino eu sinto por quem matou o Alcides, o meu exemplo e o exemplo dos pobres, dos decentes, dos que lutam para vencer e vencem sem ajudas. Pobre Alcides! Pobre Maria Luíza! O que te poderá consolar, querida mãe. Penso que nada. Só a dor.

Veja a reportagem do Fantástico sobre a morte de Alcides:


O caso repercutiu tanto que o Governador do Estado já tem varias Providencias tomada

Culpados por morte de Alcides serão punidos

“Estamos tomando todas as providências desde o primeiro momento. Ainda no dia primeiro de fevereiro, determinei a abertura de inquérito administrativo para apurar a eventual participação de servidores do poder executivo estadual na facilitação da fuga”.

Foi o que disse o governador Eduardo Campos ao receber o deputado oposicionista Pedro Eurico (PSDB), que denunciou o suposto envolvimento de servidores da Penitenciária Agro Industrial São João (PAISJ) na facilitação da fuga do detento João Guilherme Nunes Costa, apontado como assassino do estudante.

O governador convidou o deputado para a reunião depois de tomar conhecimento da denúncia. “A providência que o deputado solicitou já foi realizada”, disse o governador, acrescentando que, sem fazer pré-julgamento, também decidiu pedir o afastamento temporário da direção da unidade prisional até o completo esclarecimento dos fatos.

Eduardo Campos lembrou que o criminoso foi beneficiado pela progressão para o regime de prisão semiaberto e fugiu da PAISJ em 2006. “Já no nosso governo, em 28 de março de 2008, ele foi recapturado pela polícia e autuado em flagrante por formação de quadrilha e porte ilegal de armas”, disse o governador lembrando ainda que desde 2006 já havia em tramitação dois mandados de prisão preventiva contra ele, inclusive por crimes praticados depois que fugiu da prisão.

“Por todos esses fatos, uma nova progressão de regime e a conseqüente transferência de uma unidade de segurança máxima para outra de regime semiaberto obviamente aumentou o risco de uma nova fuga e de novas práticas criminosas”, comentou o governador

Eduardo enfatizou que tratou assunto com o deputado Pedro Eurico por entender não ser cabível qualquer utilização política de um episódio que sensibiliza e comove milhões de pessoas, por atingir alguém como Alcides, “um exemplo de superação para todos nós”. “O que o deputado quer é o mesmo que nós queremos. Precisamos estar juntos para garantir que esse crime não fique impune”, disse.

Um dos responsáveis pelo assassinato de Alcides do Nascimento, um adolescente, já foi apreendido pela polícia e se encontra à disposição da Justiça. Todo o trabalho da polícia agora se volta para a captura de João Guilherme Nunes Costa.

Comments
One Response to “Lucro é bênção”
  1. A história é triste mesmo.

    O que eu não concordo é que você, Prates, escreveu que a Campanha da Fraternidade é uma inclusão social.

    Veja no meu blog http://idealismoeomundo.blogspot.com/ para ver em quais são os pontos onde não concordo com esse seu texto.

    Alguém conhece Luiz Carlos Prates? Se você ligar a televisão na hora do meio-dia e sintonizar no Jornal Do Almoço, você verá o nosso amigo Prates criticando a incompetências das instituições políticas, a falta de moral, a nossa legislação ineficaz, a corrupção, a ignorância do nosso povo e etc. Pois é… No dia 21 de fevereiro, no domingo, o nosso amigo Luiz Carlos Prates criticou a Campanha da Solidariedade 2010 em sua coluna no jornal Diário Catarinense.

    Prates, sem dúvida, não tem nenhuma papa na língua e ataca, com toda a razão, através de suas palavras duras e sinceras. Ótimo. Agora, reprovar a atitude a Igreja em organizar a Campanha da Fraternidade já é demais. Nas palavras dele, o capitalismo e a busca pelo lucro não precisam ser criticados. Afinal, é isso que gera a empregabilidade, o progresso econômico da sociedade e impulsiona o desenvolvimento da sociedade. Segundo ele, o que precisa ser alvo de crítica é a falta de vergonha na cara, a desonestidade e um povo que ao invés de ascender profissionalmente através do próprio esforço, espera por algum milagre divino e é iludido pelas esmolas dadas pelo governo. Ele cita, por exemplo, o caso de Alcides Nascimento Lins, um garoto pobre (muito pobre mesmo), guiado apenas pela ambição e pela esperança de ascender socialmente. A única coisa que ele poderia fazer para vencer na vida era batalhar e esperar por dias melhores. Então, com muita dedicação, conseguiu o primeiro lugar no vestibular de Medicina da Federal de Pernambuco…

    Infelizmente, ele conheceu um trágico fim. Foi assassinado. Entretanto, a lição que ele deixou e que Prates quis exemplificar em sua coluna é que a vontade de enriquecer é que melhora o país. Então, a Campanha da Fraternidade e suas alfinetadas no capitalismo não passam de uma baboseira vinda de um preconceito tolo de que todo o rico precisou pisar em alguém para chegar onde está. Será que é tudo assim tão simples? Na verdade, a Campanha da Fraternidade não condena o lucro. Apenas condena o modo de como ele é alcançado.

    Como a economia solidária, um conceito proposto pela campanha solidária, se aproxima da idéia do desenvolvimento sustentado, eu preciso alertar as pessoas de que ela é uma boa iniciativa e para isso, critico o que foi escrito por Prates.

    Por exemplo, não há nada de errado em lucrar através da prática agrícola. O problema é quando muitas terras vão parar nas mãos de poucos, como é o que acontece aqui no Brasil.

    Não vou explicar as conseqüências disso, até porque já comentei sobre esse exemplo no meu blog.

    Para um jovem, não basta afirma que o estudo é importante como Prates faz. Frações diretamente proporcionais, por exemplo, é um tema importante da matemática financeira e pouco interessante. Agora, qualquer um poderia se interessar pelo assunto se o professor ensinasse que o “x” da equação poderia ser usado para descobrir quanto que uma pessoa pode lucrar com um investimento. Quer dizer, alunos, mesmo os melhores, acreditam que a realidade está resumida nos livros e isso é errado. Como fazer com que alunos se interessam por uma escola assim, onde a prática é uma coisa e a teoria é outra?

    Digo outra. E por mais que Prates continue dizendo que precisamos criar vergonha na cara e procurar empregos, isso não resolve a questão da pobreza. Afinal, o discurso é ótimo, mas não deixa de responder diversas questões. Qual é o tipo de emprego que precisamos? Como fazer para gerá-lo? Qual é o tipo de escola que nossos jovens precisam? Se prevenir é mais importante do que remediar, qual o jeito mais eficiente de combater a criminalidade através de formas de evitar que a ocasião favoreça o ladrão?

    Se Prates estiver lendo isso, sugiro que ele leia todo o meu blog e então, ele perceberá que tanto o desenvolvimento sustentável quanto a economia solidária tentam unir o progresso material, o lucro, a justiça social, a diminuição da violência, a preservação do meio ambiente, felicidade do ser humano, não condenam a busca pelo enriquecimento pessoal e nem passam a mão na cabeça de marginal. Temo que talvez, continuaremos a persistir no erro de tentar mudar o caráter das pessoas, ao invés de fazer com que a sociedade mude. É o meio que define a moral humana. Uma rua pouca movimentada, por exemplo, pode ser um local para o encontro de adolescentes fumarem maconha. Agora, se o governo investisse em mais ciclovias, o movimento dos pedestres iria aumentar nas ruas e desse modo, o tráfico de drogas seria desencorajado. E com mais pessoas andando nas ruas, haverá menos veículos, menos poluição e menos acidentes. E isso é só uma das várias soluções apresentadas pelo meu blog.

    Caro Luiz Carlos Prates, não me leva a mal. Críticas construtivas e bem fundamentadas são importantes para que haja troca de idéias, informações e discussões.

    Um grande abraço de um fã seu.

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