Um Fazer Pedagógico Como Compromisso Social E Político

Um Fazer Pedagógico Como Compromisso

Social E Político

Por: Rosimeri Vieira Bujes

1. UM FAZER PEDAGÓGICO COMO COMPROMISSO SOCIAL E POLÍTICO

Em um país como o Brasil, que ainda enfrenta problemas tanto na área da educação quanto no controle da violência, nada mais oportuno que educadores e educandos façam uma reflexão sobre o papel da escola com relação à formação da cidadania. Acredito que através de debates e propostas concretas é possível melhorar a qualidade de ensino que é oferecida a todas as pessoas que tem como meta aprimorar seus conhecimentos na tentativa de reconstruir uma vida melhor e mais prazerosa.

A educação escolar pode desenvolver um papel fundamental na vida do ser humano, porém segundo Barbosa (2000, p. 20), “A educação como artífice da paz é preciso construir escolas dotadas de significados, nas quais a alegria, o prazer e a comunicação estejam presentes”.

A partir disso, questiono a importância de um comprometimento reflexivo que nós enquanto educadores devemos ter do nosso fazer pedagógico. Onde, como e por que buscamos alternativas para reverter o quadro da nossa realidade, orientando a aprendizagem e o ensino para as experiências congruentes, válidas para as atuais exigências profissionais e os desafios do futuro incerto e desconhecido?

Entre as leis do pensamento e o modo como as desenvolvemos e assumimos na prática existencial, nas relações com as pessoas, individualmente e, de modo especial, em nossa vida profissional, encontramos dissonâncias gritantes que evidenciam o desequilíbrio entre o que teorizamos e o que fazemos.

2. A IMPORTÂNCIA DE AVALIAR A PRÁTICA PEDAGÓGICA

Nesse sentido, a avaliação minuciosa da prática pedagógica nos possibilita visualizar as discrepâncias que existem entre as leis, os princípios, os objetivos e as finalidades que nos propomos e que gostaríamos que orientassem nossos procedimentos.

É comum denunciarmos acontecimentos que são conseqüências, pensando que estamos contribuindo para a solução de problemas, não vamos a fundo, às raízes das doenças que atingem todos os aspectos da vida humana. Ficamos amarrados às falsas analogias e contra-valores, que sedimentam a sociedade contemporânea.

Muitas vezes, falta-nos coragem, audácia e convicção para um estudo sério e demorado. Abdicamos da possibilidade de avaliar, com profundidade e amplitude, os acontecimentos que presenciamos, tolhendo nossa possibilidade real de elaborar alternativas capazes de mudar o rumo caótico e difuso da história atual.

Nesse sentido, a avaliação da prática pedagógica requer um compromisso social e político, por parte da comunidade escolar. A ação coletiva dos educadores constitui o elo fundamental, pois são os produtores dos saberes essenciais do conhecimento técnico indispensável para o desencadeamento de um envolvimento mais comprometido com o fazer pedagógico que faz parte do Regimento Escolar, do Projeto-Político-Pedagógico e dos Planos de Estudos da escola. No entanto, Silva (1998, p. 213), salienta que:

Apesar desta condição, não podem prescindir dos conhecimentos a contribuição dos demais atores (família, alunos, funcionários) sob pena de inibir, despotencializar, frustrar o processo pedagógico e assumir com exclusividade os resultados do fracasso escolar.

Na verdade, estamos “encurralados” num espaço muito pequeno, onde o movimento de mudanças é imperceptível, tendo em vista que o contexto esmaga a força interior de cada um, nos tornando manipulados, reprodutores, às vezes desta própria sociedade.

3. ARTICULAÇÃO DA TEORIA E DA PRÁTICA PEDAGÓGICA

Se ainda, muitos cidadãos de bem permanecem aprisionados, sem o mínimo necessário para manter a dignidade, como a escola intervém em relação aos valores que dão sentido a vida dos educandos? O que as escolas e os educadores podem fazer para que os valores façam parte do patrimônio da humanidade? Sabemos que é papel da escola articular e construir conhecimentos, mas quais os conhecimentos?

Ao questionar quais os conhecimentos, faço referências àqueles que são fundamentais para a formação integral do ser humano, isto é, um ensino e aprendizagem tendo como base as experiências de vida, tanto dos educandos quanto dos educadores. Experiências de vida, capazes de responder aos apelos de uma vida digna, inseridas no conjunto da realidade que constitui o panorama de fundo do edifício da existência. Nesse sentido, Freire (2000, p. 110), salienta que “ensinar exige compreender que a educação é uma forma de intervenção no mundo”.

Toda ação humana é movida por valores. Por isso, reconhecê-los e buscar a sua gênese é uma tarefa urgente e significativa. Porém, há uma incumbência ainda mais urgente e desafiadora: estabelecer o sentido da teoria e da prática na educação.

Conforme Morim (2000, p. 35), isso significa que devemos como educadores “situar e relacionar todo o conhecimento no contexto e planetário, pois o mesmo é necessidade intelectual e vital” de todos os seres humanos, porém “para articular e organizar os conhecimentos, reconhecer e conhecer os problemas do mundo é necessário a reforma de pensamento”.

O professor-formador, ultrapassa a superficialidade da simples informação. Levando em consideração os conhecimentos que os educandos já possuem, oferece novos pontos de vista e propicia o debate para que se construam soluções para os problemas que se colocam.

4. UM FAZER PEDAGÓGICO INTERDISCIPLINAR

Diante disso, vejo que um trabalho educativo voltado para a educação do futuro, deve acontecer de forma interdisciplinar, e não de forma determinística ou amarrada a gostos ou modismos consagrados pela modernidade. Isto exige segundo Prado (2002, p. 61) “que nossa proposta pedagógica, além de prática, seja flexível, processual e holística”. Além disso, afirma o autor, “de pouco nos servirão os modelos e normas preestabelecidos se não tivermos a valentia de readequá-los às exigências da nova realidade”.

Ainda citando Prado (2002, p. 61), “a pedagogia é um fazer, os caminhos que a ela conduzem são construídos e percorridos nesse fazer cotidiano e permanente”. Nesse aspecto, faz sentido afirmar que, a educação como busca permanente de conhecimento e comprometida com a formação integral do educando, deve ser essencialmente humanizadora, problematizadora, libertadora, questionadora, crítica e transformadora.

Essa postura se fundamenta na consciência do nosso compromisso de informar e formar através da elaboração de conhecimentos sólidos, isto é, dar sentido ao que fazemos, pois segundo Prado (2002, p. 63),

(…) caminhar com sentido significa, antes de tudo, dar sentido ao que fazemos, compartilhar sentidos, impregnar de sentido as práticas da vida cotidiana e compreender o seu sentido (non-sense) de muitas outras práticas que aberta ou sorrateiramente tentam-se impor.

Assim, pode-se ressaltar que as afirmações de Prado são aceitáveis, pois o fazer pedagógico do educador, nesse aspecto, a partir das novas relações de compromisso social, pode alterar o teor pedagógico, transformando o ato puramente escolar ao criativo, criando assim uma situação em que num ato coletivo se ensina e se aprende.

5      CONCLUSÃO

Partindo do pressuposto de que o compromisso do professor-formador está ligado à formação da consciência crítica, pois enquanto, oferece condições ao educando de conhecer objetivamente seu meio, possibilita-o a inferir nesse meio e descobrir-se, reconquistar-se como sujeito de sua própria história.

Então, cabe a nós educadores, situar o homem como centro de todas as relações, e, conseqüentemente, como agente de sua própria educação. Isso significa que, devemos oferecer os meios de compreender o que ele é, o que ele faz e o que poderia fazer em determinado momento para transformar responsavelmente a sua própria existência.

Portanto, eis o desafio que temos como educadores, junto ao ser humano. Nós educadores deveríamos refletir, analisando e avaliando periodicamente as nossas práticas pedagógicas, pois temos uma função primordial que é formar o ser humano de maneira integral. Ao falar da formação integral, saliento que temos um ser que é composto de sentimentos, emoções, comportamentos distintos e pensamentos que se diferem e, na medida que, vão interagindo com o meio através de objetos, bem como, através das relações sociais e afetivas, ele irá construir aos poucos a sua própria personalidade e, esse é o nosso compromisso: contribuir para a formação de um cidadão pleno e integral, capaz de transformar responsavelmente as situações adversas que se apresentam no seu cotidiano.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BARBOSA, Cláudio Sampaio. Educação para a paz. São Paulo: Cidade Nova, nov. 2000.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. Rio de janeiro: Paz e Terra, 2000.

MORIN, Edgar. Os sete saberes necessários à educação do futuro. 2. ed. São Paulo: Cortez; Brasília, DF: UNESCO, 2000.

PRADO, Franciasco Gutiérrez Cruz. Ecopedagogia e cidadania planetária. Tradução Sandra Fabricco Valenzuella. 3. ed. – São Paulo: Cortez: Instituto Paulo Freire, 2002.

SILVA, Luiz Heron da. A escola cidadã nocontexto da globalização. Petrópolis, RJ: Vozes, 1998.

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