Cardápio indigesto na mesa do recifense

Cardápio indigesto na mesa do recifense


Fazer a feira de alimentos ficou 9,74% mais caro no Recife. A capital pernambucana registrou o segundo maior aumento entre 17 capitais pesquisadas, atrás apenas de São Paulo (10,49%), de acordo com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Feijão (16,31%), tomate (45,23%), banana (16,87%) e açúcar (6,76%) foram os itens que mais subiram de preço, entre fevereiro e março. Quando verificada a alta acumulada desde o início do ano (17,92%) e nos últimos 12 meses (15,12%), a cesta básica do Recife foi a que sofreu a maior elevação.


“Foram duas altas sucessivas de 6,84%, em fevereiro, e de 9,74%, em março. Isso contribuiu para a cesta do Recife acumular uma alta maior no trimestre”, afirma Jackeline Natal, supervisora técnica do Dieese-PE. Ao todo, a cesta está custando R$ 202,01. “Foi a segunda vez, desde julho de 1994, que a cesta básica ficou acima de R$ 200. A última vez, foi em junho de 2008, quando chegou a R$ 200,78. Nesta época, o quilo do feijão estava custando R$ 6”,diz.

Agora o feijão está à venda por bem menos, R$ 2,93. Mas como no mês passado o preço era de R$ 2,52, o produto ficou entre as principais altas do mês. “No entanto, não existe uma oferta menor do produto, como ocorreu em 2008. É mais um ajuste do mercado, porque o feijão caiu muito de preço nos dois últimos anos”.

Dos 12 produtos pesquisados, apenas a manteiga apresentou retração, reduzindo em R$ 0,23, em média. Nos outros 11 itens que compõem a cesta, as maiores variações foram no quilo do tomate, passando de R$ 1,99 para R$ 2,89 (o quilo), e na dúzia da banana pacovan (16,87%), de R$ 1,96 para R$ 2,29. “Esses dois produtos estão em período de redução de oferta no mercado. Mas, no caso do tomate, a produção foi prejudicada pelas condições climáticas em Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais”, explica Natal. Por esta razão, a alta foi além da sazonalidade, subindo 99,31% na comparação com o mesmo mês do ano passado.

Outro vilão é o açúcar que já acumula alta de 72,66% nos últimos dozemeses. De fevereiro para março, o quilo passou de R$ 2,07 para R$ 2,21. “O açúcar vem mantendo trajetória ascendente de preços. Isso decorre do comportamento do mercado externo. O expressivo aumento da cotação internacional foi determinante na formação do preço no mercado interno, não só em Recife, mas todas as capitais pesquisadas”, afirma Natal. Também sofreram variação mensal positiva carne (3,05%), leite (3,03%), arroz (3,34%), farinha (0,87%), pão (0,73%), café (1,43%) e óleo (1,13%).

Mais cara – A cidade de Porto Alegre manteve a cesta básica mais cara do Brasil. A capital do Rio Grande do Sul liderou o ranking do mês passado na pesquisa após o conjunto de produtos alimentícios essenciais avançar 7,80% na cidade na comparação com fevereiro para R$ 257,07.

O Dieese destaca que, com base no valor da cesta observado em Porto Alegre, o salário mínimo necessário para suprir as despesas de um trabalhador e sua família com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e Previdência, segundo prevê a Constituição, deveria corresponder a R$ 2.003,30, o que corresponde a 3,92 vezes o valor atualmente vigente (R$ 510).

Total da cesta básica

Março 2009 R$ 175,48
Fevereiro 2009 R$ 184,08
Março 2010 R$ 202,01

Variação Mensal 9,74%
Variação Anual 15,12%

Os vilões do mês:

Feijão 16,31%
Tomate 45,23%
Banana 16,87%
Açúcar 6,76%

Fonte: Dieese

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