Betinho Gomes: "Ganhei autonomia política"

Betinho Gomes:

“Ganhei autonomia política”

Por Paulo Rocha da GAZETA NOSSA

Um dos representantes da nova geração política de Pernambuco, o cabense Betinho Gomes já foi deputado estadual pelo PPS. Em 2007, ingressou no PSDB. Disputou a Prefeitura do Cabo, em 2008. Pré-candidato à deputado estadual, Betinho recebeu a Gazeta Nossa para esta entrevista dia 16 de abril.



GN – Você sabidamente é candidato pelo Cabo. Você conta com o voto jaboatonense para retornar à Assembléia Legislativa?
Betinho – Pretendo ser deputado estadual representando a chamada área Metropolitana Sul, que compreende não somente o Cabo, mas também Jaboatão e Moreno, onde tenho o apoio do ex-prefeito Vavá Rufino. Estas cidades serão o eixo principal de minha campanha, mais a cidade de Bom Jardim, onde, junto com o prefeito João Lira, pretendo também atuar se for eleito.
GN – Você vai apoiar Serra em Pernambuco. Sabendo que no Nordeste a rejeição histórica dele é grande, principalmente nas áreas pobres, como você vai resolver este problema junto ao teu eleitor que votou em Lula?
Betinho – Lula não é candidato. O debate será entre Serra e Dilma, e sobre as questões de futuro. Não vamos negar os avanços, vamos apenas mostrar que o Brasil pode mais. Estes avanços foram fruto de 25 anos, iniciados a partir da Nova república, com a participação de lideranças do PSDB. A redemocratização, a estabilidade econômica vinda com Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso e a Constituinte que propiciaram estes avanços, permitindo planejamento econômico e financeiro e o PT soube utilizar este estado das coisas.
De qualquer forma, mesmo polarizada a disputa presidencial, sou candidato ao legislativo de Pernambuco e o eleitor sabe diferenciar isso.
GN – Serra pretende usar em seu discurso a questão da desativação branca da Chesf. Qual a sua posição em relação ao fato?
Betinho – Não sou especialista, mas pela importância indiscutível da Chesf no que ela faz e no que pode fazer, inclusive com sua política de apoio a projetos culturais no estado, é fundamental que continue fortalecida. Apoiamos este movimento da sociedade pernambucana e nordestina. Serra deve ouvir as lideranças do estado, e o senador Sérgio Guerra já se posicionou sobre o assunto.
GN – Elias Gomes diz que não vai tomar partido nesta campanha, e isto é devido à sua relação com o governo de Eduardo Campos, que estará em outro palanque, tanto estadual como nacionalmente. Sem o apoio explícito de Elias, você perde ou ganha votos?
Betinho – Elias nunca disse isto. É claro que a prioridade do prefeito é o foco administrativo, mas no momento oportuno ele deve seguir o caminho do PSDB, de forma que não haja prejuízos administrativos.
GN – E você, pedirá votos para o candidato da oposição ao governo Eduardo Campos, este hoje um parceiro na administração municipal?
Betinho – Claro. Vou pedir votos para o candidato indicado pelo partido. Tenho firmeza partidária. Sempre fomos ligados à esquerda, mas, por exemplo, quando acompanhamos Mendonça Filho, fiquei com ele até a última hora.
GN – O fato de ser filho de Elias Gomes ajuda ou atrapalha a sua campanha?
Betinho Gomes – Impossível dissociar minha imagem da de meu pai, mas acredito que após a última disputa no Cabo ganhei certa autonomia política. O apoio de Elias Gomes é importantíssimo e certamente vai ajudar, mas não sou apenas o “Filho do Prefeito”, seria menosprezar tanto a mim quanto à população que vota em mim e acredita nas minhas qualidades de liderança e nas minhas propostas.
Jaboatão sempre sofreu administrativamente com a ingestão de parentes que causaram prejuízos ao município. Após 1 ano e quatro meses da gestão de Elias dá pra ver que essa conduta foi rompida e que jamais acontecerá isso nesta administração. Sou um aliado, não um membro do governo.
GN – A população menos favorecida via de regra não entende muito o papel do legislador, e normalmente aceita de bom grado o fisiologismo ou exige dos deputados ações localizadas. Que tipo de lei então você proporia para melhorar Jaboatão?
Betinho – A eleição proporcional é delicada. Muitos ser aproveitam da miséria e trocam votos por favores, e isto precisa ser denunciado. Eu procuro esclarecer qual é o real papel de um deputado. Tenho propostas para a região Metropolitana Sul, que tem problemas comuns. Por exemplo, este “boom” de crescimento não está sendo bem aproveitado, pois a mão-de-obra não está qualificada. Precisamos de maior investimento na educação de nível médico e de nível técnico, inclusive com tempo integral. A questão da segurança é outra que, embora tenha avançado, precisa também de mais investimentos. Outra necessidade é o saneamento. Iremos cobrar de forma contundente investimentos do estado e da Compesa, principalmente em relação a Jaboatão e ao Cabo.
Fora isso, vamos fazer uma campanha limpa, buscando a união, não a divisão. Apresentando propostas, buscando ser um colaborador dos municípios e um porta-voz da comunidade no enfrentamento a estes problemas.
GN – O deputado Eduardo Porto defende a emancipação de Jaboatão Centro. Você é a favor ou contra essa idéia?
Betinho – O que importa é a posição do Conde/Fidem, que não recomenda a criação de novos municípios, principalmente na região Metropolitana. Sou municipalista, mas esta questão é inviável.
GN – A política em Jaboatão é assunto 7 dias por semana, gerando comentários e ilações por muitas vezes maldosas. Você diria que a população de Jaboatão é politizada ou politiqueira?
Betinho – Eu diria que a classe política de Jaboatão passa por um processo de renovação. Políticos chamados “tradicionais” perderam seus postos, e a população está cobrando essa renovação. Precisamos de novas lideranças que se preocupem mais com os problemas estruturais do município. Essa mesquinharia que ocorre no meio político tem que acabar, pois existe hoje outra postura do cidadão, que não está mais tolerando isso.
GN – Uma das conversas nas rodas políticas é que você vai disputar uma cadeira na Asssembléia Legislativa para se cacifar e em 2012 disputar a prefeitura do Cabo ou de Jaboatão.
Betinho – Isso é impossível, pois como parente em primeiro grau não posso disputar a prefeitura de Jaboatão. Quanto ao Cabo, minha meta agora é o legislativo. 2012 está longe e não tem sentido antecipar esta discussão. Essa avaliação deve ser feita mais adiante.
GN – Por falar no Cabo, qual a sua avaliação da gestão de Lula Cabral?
Betinho – Lula Cabral assumiu a prefeitura numa situação favorável, com a casa arrumada financeiramente, com projetos em execução e outros prontos para serem executados, e a coisa foi melhorando com a atual situação da região. Contou com muitos recursos, mas as áreas carentes não foram priorizadas, nem o social. E também não houve avanços na educação e na saúde, apesar de ser um bom momento para o Cabo, com grandes investimentos. Embora sejamos adversários políticos, se chegar ao legislativo quero ajudar, não vamos dividir a população por questões partidárias. Mas sempre que for necessário fazer um pronunciamento crítico, vamos fazer.
GN – E a gestão do prefeito Elias Gomes?
Betinho – Analiso de forma isenta. Elias pegou a prefeitura com dificuldades, sem projetos nem planejamento, o que não é fácil. Mas agora já tem um equilíbrio financeiro e principalmente está novamente apta a estabelecer convênios federais. Falta ainda, mas organizou mais um pouco a saúde, a educação, está fazendo a limpeza dos canais, e está organizado de modo geral para os investimentos deste ano. O asfaltamento das ruas prometidas deve iniciar em maio, acredito que neste ano deslancha em termos de investimentos, com a expectativa de aumentar no próximo.
GN – Você já foi deputado estadual uma vez. Qual o balanço que você faz daquele mandato?
Betinho – A missão do parlamentar, e nem sempre o povo entende isso, é fiscalizar o executivo e tentar, através de propostas de lei, melhorar um pouco a sociedade. Acredito que exerci bem o papel de fiscalizador, e, no campo legislativo, saliento algumas ações que julgo mais importantes: A criação do SEDUSP, o Sistema Estadual de Defesa do Usuário do Serviço Público Este projeto virou lei e garante a qualquer cidadão o direito de reclamar quando é mal atendido nasd instituições públicas. É uma espécie de PROCON do serviço público, que inclusive, a partir daí criaram-se as ouvidorias do sistema público, hoje uma ferramenta de cidadania; Foi minha a proposta da criação do Banco de Livros, que estimula a doação de livros para bibliotecas públicas; Por meio de projto nosso foi instituído o Dia Estadual do Forró Pé-de-serra, para lembrar e comemorar nossos cantadores e forrozeiros, uma parte importante da cultura pernambucana e nordestina; criamos a Comissão de Cidadania na Alepe, onde por exemplo o secretário de Defesa Social presta esclarecimentos, trimestralmente sobre as questões conscernentes à sua secretaria.
Com relação, especificamente à cidade de Jaboatão exercemos uma aproximação maior com a população, o que resultou, por exemplo, na reabertura do Politécnico em Cajueiro Seco, uma estrutura que estava abandonada pelo estado e que hoje abriga um Centro da Juventude. Fomos, junto com a comunidade Olho D’água, à Compesa na tentativa de estabelecer fornecimento de água. Mesmo sem um julgar responsável direto, vejo que hoje já tem uma placa no local anunciando as obras. Em Jaboatão Centro participamos da luta pela cobertura da quadra da escola Rodolfo, que hoje está coberta.

Comments
One Response to “Betinho Gomes: "Ganhei autonomia política"”
  1. GENILSON CAETHANO disse:

    Carta ao amigo Betinho Gomes,
    Caro amigo, em face de sua enorme dificuldade em definir sua aposição político-ideológica, transcrevo abaixo crônica do Jornalista Antonio Prata, que talvez possa ajudá-lo a dizer quem você realmente é.

    Bar ruim é lindo, bicho!
    Eu sou meio intelectual, meio de esquerda, por isso freqüento bares meio ruins. Não sei se você sabe, mas nós, meio intelectuais, meio de esquerda, nos julgamos a vanguarda do proletariado, há mais de cento e cinqüenta anos. (Deve ter alguma coisa de errado com uma vanguarda de mais de cento e cinqüenta anos, mas tudo bem).
    No bar ruim que ando freqüentando ultimamente o proletariado atende por Betão – é o garçom, que cumprimento com um tapinha nas costas, acreditando resolver aí quinhentos anos de história.
    Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos ficar “amigos” do garçom, com quem falamos sobre futebol enquanto nossos amigos não chegam para falarmos de literatura.
    – Ô Betão, traz mais uma pra gente – eu digo, com os cotovelos apoiados na mesa bamba de lata, e me sinto parte dessa coisa linda que é o Brasil.
    Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos fazer parte dessa coisa linda que é o Brasil, por isso vamos a bares ruins, que têm mais a cara do Brasil que os bares bons, onde se serve petit gâteau e não tem frango a passarinho ou carne-de-sol com macaxeira, que são os pratos tradicionais da nossa cozinha. Se bem que nós, meio intelectuais, meio de esquerda, quando convidamos uma moça para sair pela primeira vez, atacamos mais de petit gâteau do que de frango a passarinho, porque a gente gosta do Brasil e tal, mas na hora do vamos ver uma europazinha bem que ajuda.
    Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, gostamos do Brasil, mas muito bem diagramado. Não é qualquer Brasil. Assim como não é qualquer bar ruim. Tem que ser um bar ruim autêntico, um boteco, com mesa de lata, copo americano e, se tiver porção de carne-de-sol, uma lágrima imediatamente desponta em nossos olhos, meio de canto, meio escondida. Quando um de nós, meio intelectual, meio de esquerda, descobre um novo bar ruim que nenhum outro meio intelectuais, meio de esquerda, freqüenta, não nos contemos: ligamos pra turma inteira de meio intelectuais, meio de esquerda e decretamos que aquele lá é o nosso novo bar ruim.
    O problema é que aos poucos o bar ruim vai se tornando cult, vai sendo freqüentado por vários meio intelectuais, meio de esquerda e universitárias mais ou menos gostosas. Até que uma hora sai na Vejinha como ponto freqüentado por artistas, cineastas e universitários e, um belo dia, a gente chega no bar ruim e tá cheio de gente que não é nem meio intelectual nem meio de esquerda e foi lá para ver se tem mesmo artistas, cineastas e, principalmente, universitárias mais ou menos gostosas. Aí a gente diz: eu gostava disso aqui antes, quando só vinha a minha turma de meio intelectuais, meio de esquerda, as universitárias mais ou menos gostosas e uns velhos bêbados que jogavam dominó. Porque nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos dizer que freqüentávamos o bar antes de ele ficar famoso, íamos a tal praia antes de ela encher de gente, ouvíamos a banda antes de tocar na MTV. Nós gostamos dos pobres que estavam na praia antes, uns pobres que sabem subir em coqueiro e usam sandália de couro, isso a gente acha lindo, mas a gente detesta os pobres que chegam depois, de Chevette e chinelo Rider. Esse pobre não, a gente gosta do pobre autêntico, do Brasil autêntico. E a gente abomina a Vejinha, abomina mesmo, acima de tudo.
    Os donos dos bares ruins que a gente freqüenta se dividem em dois tipos: os que entendem a gente e os que não entendem. Os que entendem percebem qual é a nossa, mantêm o bar autenticamente ruim, chamam uns primos do cunhado para tocar samba de roda toda sexta-feira, introduzem bolinho de bacalhau no cardápio e aumentam cinqüenta por cento o preço de tudo. (Eles sacam que nós, meio intelectuais, meio de esquerda, somos meio bem de vida e nos dispomos a pagar caro por aquilo que tem cara de barato). Os donos que não entendem qual é a nossa, diante da invasão, trocam as mesas de lata por umas de fórmica imitando mármore, azulejam a parede e põem um som estéreo tocando reggae. Aí eles se dão mal, porque a gente odeia isso, a gente gosta, como já disse algumas vezes, é daquela coisa autêntica, tão Brasil, tão raiz.
    Não pense que é fácil ser meio intelectual, meio de esquerda em nosso país. A cada dia está mais difícil encontrar bares ruins do jeito que a gente gosta, os pobres estão todos de chinelos Rider e a Vejinha sempre alerta, pronta para encher nossos bares ruins de gente jovem e bonita e a difundir o petit gâteau pelos quatro cantos do globo. Para desespero dos meio intelectuais, meio de esquerda que, como eu, por questões ideológicas, preferem frango a passarinho e carne-de-sol com macaxeira (que é a mesma coisa que mandioca, mas é como se diz lá no Nordeste, e nós, meio intelectuais, meio de esquerda, achamos que o Nordeste é muito mais autêntico que o Sudeste e preferimos esse termo, macaxeira, que é bem mais assim Câmara Cascudo, saca?).
    – Ô Betão, vê uma cachaça aqui pra mim. De Salinas quais que tem?

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: