Exposição resgata história do Engenho Massangana e de Joaquim Nabuco

Exposição resgata história do Engenho Massangana e de Joaquim Nabuco



Representantes da Prefeitura do Cabo de Santo Agostinho estiveram presentes na abertura da exposição ao ar livre – Nabuco e Massangana: Memória & Futuro – realizada pela Coordenação do Projeto de Reestruturação Física e Funcional do Engenho Massangana, que aconteceu na manhã desta terça-feira (27.04). A ação acontece com o objetivo de resgatar a história do engenho e mostrar para as pessoas o processo de reestruturação do local, onde viveu o abolicionista Joaquim Nabuco. Os alunos da Escola Municipal Joaquim Nabuco, localizada na comunidade, também prestigiaram a exposição.

A exposição é composta por grandes painéis situados ao lado da Casa Grande
e aborda a temática sobre Joaquim Nabuco, escravidão, abolição, o engenho
e sua requalificação. De acordo com a coordenadora do projeto, Lindene Araújo, “a exposição ficará disponível à visitação pública até a reabertura das atividades regulares, que se dará no dia 20 de novembro”. A coordenadora fez questão de salientar que os grupos que quiserem visitar o local, que fica na área externa, terão que realizar o agendamento através do telefone 3073-6671.

Para o Secretário Municipal de Turismo, Fernando Muniz, “o município está engajado no processo de restauração e divulgação do Engenho Massangana como um elemento importante na vida de Joaquim Nabuco e hoje é patrimônio cultural de Pernambuco”. Muniz esteve na exposição com a superintendente de Planejamento e Projetos da Prefeitura do Cabo, Catarina Dourado e do gerente de Turismo, Tércio Netto. “Além da grande importância cultural para o Estado e o município, o engenho fica localizado na via sul com fácil acesso, viabilizando, assim, o turismo histórico e ambiental”, raciocina Tércio Netto.

Texto: Danielle Dutra – Secom/ Cabo
Fotos: João Barbosa

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One Response to “Exposição resgata história do Engenho Massangana e de Joaquim Nabuco”
  1. Nabuco e os movimentos populares

    Escrito por Marcelo Mário de Melo

    Originário da elite, Joaquim Nabuco atuou basicamente no parlamento, na imprensa e nas instâncias legais, estendendo-se às conferências em teatros e a manifestações de rua. Não fazia parte da articulações voltadas para a mobilização direta dos segmentos que compunham a plebe do seu tempo, mas não as condenava e se relacionava bem com as suas lideranças. Tinha fortes ligações com José Mariano, integrante do Clube do Cupim, entidade que recolhia fundos para o apoio a escravos fugitivos. Também era próximo de José do patrocínio, que além do ativismo jornalístico, atuava em manifestações de rua, muitas vezes, marcadas por confrontos com forças policiais..

    Na “carta ao correligionário”, de 18 de outubro de 1887, Nabuco afirma que “não há abolicionismo político ou parlamentar sem que exista no país esse outro abolicionismo de ação popular, intransigente, e em imediato, que empurra os partidos e os governos para diante e conquista para o escravo, e para isso todos os meios que forem morais são legítimos, a liberdade a que ele tem o mesmo direito que o senhor. O abolicionismo político e parlamentar não é senão o freio da locomotiva, o vapor que a move é o abolicionismo popular, e nós estamos precisando neste momento de encher a caldeira e de aumentar a pressão porque o trem está parado…” Em O Abolicionismo, Nabuco dá o devido crédito à vertente popular na luta contra a escravatura

    Esse posicionamento de Nabuco decorria, em parte, da sua apreciação negativa dos partidos políticos, que considerava subordinados ao poder econômico. E também se fundava na sua intervenção política programática, em que a análise dos problemas e as propostas apresentadas partiam de uma visão nacional.“… Estou mais identificado com o abolicionismo do que com qualquer partido que me parecem todos igualmente plutocratas. Eu hoje luto por idéias e não por partidos. Nas idéias sou intransigente; quanto aos partidos, não me presto mais a galvanizá-los. Estão mortos e bem mortos. Para fazer coisa nova é preciso novos instrumentos. Os que nos vieram da escravidão são cabos de chicote e pedaços de tronco que não servem para a reorganização do país”. Nabuco defendia partidos com estofo nacional. “O nexo entretanto do partido não pode ser outro senão a federação…”, afirmou.

    Ele entrava em aguda contradição com a plutocracia do seu tempo e as estruturas político-partidárias que a representavam, também, pelo fato de não resumir a luta abolicionista ao efeito jurídico da abolição, mas propor um passo à frente, com a inclusão social dos libertos, através do acesso à terra, ao trabalho livre e à educação. Contradição que se acentuava com a sua crítica ao capital financeiro. “Eu oponho-me aos bancos porque quero a pequena propriedade, a dignidade do lavrador, do morador, do liberto – a formação do povo, que está ainda abaixo do nível dos partidos. Não considero o interesse de nenhum partido, mas somente o do povo…”.

    Aí se delineia uma divisão recorrente na história do Brasil, no campo dos progressistas, reformadores, liberais e democratas. Há aqueles que se detêm nos limites dos direitos políticos gerais. E os que avançam em propostas de alargamento dos direitos econômicos para a base da pirâmide social, afetando assim o patrimônio da classe dominante. Nabuco figurava nesse segundo time.

    É emblemática a libertação dos escravos sem a abordagem da questão agrária. Desde a abolição da escravatura, a burguesia brasileira vem rejeitando todos os projetos de reforma agrária. Derrotou no parlamento os encaminhados pelo PTB e por Josué de Castro. Esmagou. Com o golpe de 1964, o de João Goulart. Manteve intocado o latifúndio na constituição de 1988. Cem anos depois da morte de Nabuco, a questão agrária continua a ser empurrada com a barriga, no conta-gotas dos recursos do INCRA. Temos o bolsa-família. Discutimos a política de cotas na educação. Há uma lei tratando do preconceito racial e atestando que ele existe. Os excluídos são os escravos reciclado$. E a locomotiva política continua à espera do empurrão vitalizador dos movimentos populares.

    Marcelo Mário de Melo é jornalista

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