Suape, BR-101 Sul e PE-60: o caminho do desenvolvimento na rota da morte

Suape, BR-101 Sul e PE-60:

O caminho do desenvolvimento

na rota da morte


Por Carlos Cardoso Filho – Servidor do Fisco do Ipojuca há 15 anos

Quem precisa trafegar pela BR-101 Sul e pela PE-60 tem enfrentado – num ambiente de “progresso”- uma verdadeira saga no caminho. Nas estradas que levam ao “futuro” de Pernambuco, a grande esperança que se renova diariamente – graças ao tratamento pouco comprometido que têm dado ao caso as autoridades – é a de se chegar ao trabalho com vida e sem ferimentos, pois os atrasos já fazem parte da rotina e já estão contabilizados por empregados e empregadores.

Com a construção e o funcionamento das empresas situadas na porção Sul da Região Metropolitana do Recife-RMR, ao movimento normal dos trechos cobertos pela BR-101 Sul e pela PE-60 somou-se um tráfego alocado que tem provocado quilométricos engarrafamentos, muito atraso, inúmeros acidentes e várias mortes.

Como a chegada dos empreendimentos, principalmente em Suape, já não era novidade há pelo menos uma década e meia, não se sabe, mas pode se imaginar, o que levou os governos a não cuidar da estrutura viária durante esse período de preparação e maturação daquele pólo industrial-portuário pernambucano: historicamente, enxergar prioridade e fazer planejamento são artigos de luxo para as cabeças pensantes de nossos governantes.

Faz tempo que se aboliram as balanças nas rodovias. Como resultado, tem-se pavimentos rodoviários deteriorados em pouquíssimo tempo. Há trechos em que o esfacelamento da pista nos faz lembrar as cenas das estradas vicinais do Iraque, após os irracionais ataques norte-americanos.

A ausência de um maior policiamento na “rota do desenvolvimento” é puro sinal de improviso e desrespeito: não dá para se acreditar que não se possa deslocar um efetivo para uma área que clama por apoio e que vem batendo recordes em macabra estatística de acidentes e mortes, mês a mês.

Sem a presença do policiamento, fica mais fácil para os caminhões trafegarem com cargas acima do peso e sem a devida amarração do carregamento. Momento histórico: tem-se verificado que há em Pernambuco uma frota de caminhões que certamente ajudaram a fazer a mudança da Família Real do Rio de Janeiro para Petrópolis.  São máquinas que já pedem socorro e que seus pneus já passam da lona. Certo dia, perguntou-me um amigo: “esse pneu será pintado?” Perguntei a ele: “por quê?” Ele me respondeu: “está tão liso que parece que foi lixado.”

Nessa atmosfera de descaso, observa-se, também, a falta de uma sinalização que atenda o atual fluxo das rodovias que ligam o Estado de Pernambuco a Suape e seu entorno. As placas que ainda restaram por lá não conseguem mais responder à demanda que só tende a crescer. As obras viárias daquele trecho padecem de pouca sinalização e se arrastam em um ritmo bem diferente da velocidade em que andam as construções dos empreendimentos que ali se instalam.

Nem no acesso ao centro de compras de nome Shopping Costa Dourada , recentemente inaugurado no Cabo de Santo Agostinho, se pode contar com o necessário apóio de infra-estrutura: não há sinalização suficiente; e, pior ainda, não foi construída sequer uma passarela para garantir que os pedestres atravessem com segurança. Enquanto isso, há muita gente atravessando a rodovia, em frente ao Shopping Costa Dourada, sem qualquer segurança.

Em tempo de eleições, todo candidato que se preza é pai do desenvolvimento, ou pelo menos idealizador ou incentivador do Eldorado que é Suape. O que mais impressiona é que, mesmo com tantos pais, a Dubai nordestina não contou com a segurança que toda criança carece em seus primeiros anos de nascimento. O que se vive nas estradas que ligam o Estado a Suape e seu entorno é uma verdadeira tragédia anunciada, uma tragédia mais anunciada quanto mais pais tiver.

Se não for possível apressar as obras viárias, sinalizem melhor o trecho e desloquem efetivos das polícias rodoviárias estadual e federal para a BR-101 Sul e para a PE-60. Se não for possível policiá-las, disponibilizem algumas viaturas das polícias ou dos bombeiros, pelo menos para agilizar o socorro das vítimas anunciadas. Se não for possível nada disso, desistam dessa forma de viver em Estado e inventem algo mais humano e respeitoso.

Comments
One Response to “Suape, BR-101 Sul e PE-60: o caminho do desenvolvimento na rota da morte”
  1. Quando se trata de vidas não existe nemor ou maior escala, vidas são vidas e caras.
    Há anos estamos solicitando a construção ou melhor a reposição de lombadas na Avenida Vereador Horácio Ferraz principalmente por causa dos colégios.
    Aqui os veículo trafegam e velocidades acima do permitido para o tipo de via, acidentes são constantes.
    Hoje mesmo (31.05) uma senhora foi atingida por uma moto que fazia uma ultrapassagem tripla.
    Existe uma curva em frente ao mini campo de futebol que só dá passagem a um veículo por vez (maiores a partir de micro onibus), nessa curva, obra de arte dos competentes engenheiros do DER, para completar estourou um tubo da COMPESA, ela fez o serviço, cobriu com pó de pedra, ficou o buraco, os motoristas tem que entrar nessa curva (que não se tem visão de quem vem) pela contra mão, é tragédia anunciada.
    O que custará mais, uma vida ou R$1.000,00 de asfalto e sinalização?

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