Os Três Mosqueteiros socialistas

Os Três Mosqueteiros socialistas

Por Antólio Julião*

Como personagens emergidas do maior clássico universal da literatura infanto-juvenil moderna, “Os Três Mosqueteiros”, do genial escritor francês Alexandre Dumas, os senhores Isaltino Nascimento, deputado estadual de enorme estatura; João Fernando Coutinho, jovem parlamentar natural do irredento Município de Água Preta; e Milton Coelho, inconteste liderança popular, atualmente vice-prefeito do Recife e presidente do chamado Partido Socialista local, têm-se esforçado na defesa da desastrada administração de Eduardo Campos.

Ensina-nos a geometria euclidiana que três pontos quaisquer no espaço, delimitam um plano. Daí ser tão popular o uso de tripés como ponto de sustentação de instrumentos, como câmeras; equipamentos, como o teodolito do topógrafo; e alguns tipos de assento, como certos tamboretes, para uso em terreno irregular, porquanto uma vez apoiados, mesmo em solo desigual, determinam um plano geométrico qualquer, adquirindo estabilidade.

Como três mosqueteiros socialistas, de capa e espada, as personalidades citadas acima vêm assumindo a tarefa de exaltar o governo que aí está através de artigos pasteurizados, que mais parecem monótonos cânticos de beatos em procissão.

Como três pontos perdidos no espaço, escrevem à procura de um plano sobre o qual apoiar a desastrada administração de Eduardo Campos.

Recheados de números bem acomodados, e descrevendo uma realidade que os pernambucanos sentem dificuldade em reconhecer na vida real, os monocórdios textos por eles elaborados chegam a lembrar as infindáveis declamações dos Festivais de Literoprosia do Colégio Americano Batista, onde meninos de cabelos lustrosos de creme-fixador “Brilcreme”, calçando sapatos de verniz e trajando meias três-quartos, calças-curtas, paletó de um botão, camisa branca e gravata de laço, entoavam com vozes calibradas pelo mesmo tipo de impostação: “Minha Terra tem palmeiras onde canta o sabiá…”, do grande poeta romântico maranhense, Gonçalves Dias. Bonito, mas absolutamente previsível.

É que o discurso chapa-branca traz consigo falhas incorrigíveis de DNA, entre as quais, o de ser elaborado por membros do aparatchnik, subservientes ao poder estabelecido, rodeados de privilégios e mordomias, moralmente obrigados a adular e aquecer o atribulado coração do chefe, e mostrar à opinião pública toda a sua perfeição. Se posta de manhã para, à tardinha, nas tertúlias do poder, receber o riso de aprovação e, nas costas, a tapinha de agradecimento. Escreve-se sem o menor pudor de sincronizar o conteúdo da redação com a realidade circundante, com o sentimento das ruas, com o que povo verdadeiramente enfrenta no seu dia a dia.

Assim, para esses escribas chapa-branca, o Estado de Pernambuco, fundado por sua excelência o governador Eduardo Campos, em 2006, tão logo se instalou no nunca antes habitado Palácio das Princesas, viu por ele serem banidos, em pouco mais de três anos, todos os problemas da educação, saúde, violência urbana, desvios de recursos públicos, obras paralisadas e inacabadas – algumas inauguradas sem sequer terem sido iniciadas –, das fantásticas despesas com propaganda, da subserviência vexatória ao Governo Federal, do silêncio humilhante, como no caso da Chesf, e das omissões lenientes diante de escândalos como os da Empetur e da Funarte.

Agora, vá e pergunte ao povo.

Conta-se que em um de seus acalorados debates, na Câmara dos Comuns, com uma de suas mais ferrenhas oponentes, Sir Winston Churchill ouviu da já exasperada Senhora:

– Eu, se fosse sua esposa, colocaria veneno no seu café!

Ao que Churchill respondeu, impávido:

– E eu o tomaria, só para ver-me livre da Senhora!

Assim, seguindo o exemplo de Churchill, continuaremos lendo as crônicas chapas-branca dos três mosqueteiros “socialistas” até a última linha, só para, já, já, ver-nos livres deles.

*Anatólio Julião é sociólogo

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