Pernambuco: catástrofes previsíveis

Pernambuco: catástrofes previsíveis


Por: Edilson Silva

Candidato do PSOL ao governo de Pernambuco

Pernambuco e Alagoas estão vivendo um verdadeiro drama nos últimos dias. Fortes chuvas vêm nos vitimando. Perda de vidas, perda de patrimônios culturais, de patrimônios materiais que não raro são tudo o que as pessoas têm, conquistados ao longo de uma vida de trabalho e sacrifícios.

A sociedade, como sempre acontece, mobiliza-se em solidariedade. Cada um de nós chama para si um pouco da responsabilidade por tentar diminuir ao máximo a dor, o sofrimento do nosso próximo. Fazemos aquilo que gostaríamos que fosse feito se nós mesmos estivéssemos lá, desabrigados, com frio, com fome. Colocamo-nos, assim, no lugar do outro. Isso é solidariedade.

Mas se por um lado a sociedade, em suas múltiplas faces, precisa ser aplaudida nestes momentos, por sua capacidade de criar redes autônomas e voluntárias de solidariedade, o mesmo aplauso não pode ser dado ao Estado e aos governos que mobilizam máquinas e recursos emergenciais nestes episódios.

No caso de Pernambuco, a mata sul não foi vítima de um vulcão que surgiu do dia para a noite e resolveu entrar em erupção, soterrando as cidades com lava fervente. Muito menos um tornado surgiu do nada e saiu arrastando em ventos inimagináveis imóveis, árvores e automóveis. Nem mesmo a Besta Fubana, da fictícia República Rebelada de Palmares, de Luiz Berto, resolveu aparecer e voltar sua força e poder contra a população da região. Nada disso. As catástrofes “naturais” que vitimaram a mata sul, sobretudo Palmares, são absolutamente previsíveis e controláveis. São enchentes “regulares”. Não foi a primeira e nem a última vez que o Rio Una rebelou-se.

Trata-se, nestes casos, de cuidar de rios, dos seus leitos, de sua vazão. A engenharia de nosso tempo já detém técnicas para evitar estas catástrofes. Infelizmente, os governos e os políticos que se revezam no poder é que ainda não detém sensibilidade humana para colocarem-se ao lado da maioria da sociedade no planejamento e concretização de ações preventivas.

O governador Eduardo Campos sabe disso, tanto é assim que prometeu agora (espero que cumpra!), com o leite derramado tocando-lhe a cintura, agir sobre as construções irregulares à beira dos rios, dando condições de moradia às populações em áreas adequadas; alargamento do vão das pontes, diminuindo os gargalos nos cursos d’água; construção de barragens ao longo dos rios da região para controlar a velocidade das águas, entre outras medidas que só mostram que já existia o diagnóstico do problema e as soluções também já estavam pensadas. O que faltou, então? Prioridade às prioridades!

Para além de fazer sua parte na adequação da geografia cultural aos fenômenos naturais que acontecem com bom grau de previsibilidade, o poder público, que em tese deveria refletir o bem comum, deveria também preocupar-se com a manutenção dos ecossistemas que permitem a melhor convivência harmônica entre o homem e o meio ambiente em que vivemos.

Mas, de novo infelizmente, também nisto os governos que se sucedem não estão solidários com a maioria da sociedade. Tomo emprestado trecho de excelente artigo do biólogo Leslie Tavares no blog de ciência e meio ambiente do JC on line : “(…) continua a expansão urbana e industrial sobre manguezais, que são justamente as áreas de transição entre a terra e o mar. A já escassa vegetação das margens dos rios, que evitaria a erosão, o assoreamento e a subida abrupta das águas, continua desaparecendo (…)”.
Como todos devem saber, lutamos hoje para tentar evitar a devastação de mais 600 hectares de manguezais em SUAPE, devastação que tem no governo do estado seu grande incentivador. É mais uma contradição destes governantes. Alimentam o câncer enquanto administram analgésicos.

Assim, as tragédias que vitimam agora Palmares, Barreiros e outras cidades pernambucanas, a exemplo daquelas que vitimam populações em Alagoas, Santa Catarina, Rio de Janeiro, São Paulo e outras localidades, não são naturais, de forma alguma. São sim obras conscientes de estados e governantes que atuam atendendo prioritariamente interesses de suas elites.

Candidato do PSOL ao governo de Pernambuco

Comments
2 Responses to “Pernambuco: catástrofes previsíveis”
  1. SERGIO GIRALDI disse:

    gentile signore, sono italiano e ho sposato una dolce signora brasiliana vorrei commentare il suo commento su quello che sta accadendo a peranabuco non pensi che DIO ABBIA pieno i coglioni di noi? scusa l’espressione volgare ciao

  2. Você diz isso porque é adversário político do Dr. Eduardo, não vê que ele já entregou um hospital de grande porte, breve entregará outro e até o próximo ano o ultimo?
    Não vê as UPAs, etc etc.
    São lindas estruturas há quarenta anos não se constrói tanto hospital em Pernambuco.
    Você não vê que sediaremos jogos da copa 2014, que construiremos a cidade da copa, infra estrutura primorosa entre estradas portos e aeroportos, aparelhamento policial, que teremos que por os bofes pela boca para que um grupo possa dizer que esta construindo o Brasil e Pernambuco, pagando impostos e morrendo por falta de médicos nos postos de saúde, nos lindos hospitais, ou pagando o que resta dos nossos salários para poder andar sobre estradas impecáveis, a preços exorbitantes, mesmo sem direito de dar uma paradinha para um banho de mar?
    Claro que o que for prometido será cumprido.
    Parte já esta sendo pois mesmo estando de posse de uma ordem judicial uma senhora não consegue leito numa UTI e poderá até morrer por falta de assistência especializada?
    Como é que você quer que se olhe para margens e leitos de rios, desassoreamento, contenção?
    Esta desgraça (evitável) que se abateu sobre nossas cidades interioranas não poderia vir em melhor hora, agora vão aparecer os pais e mães, os corações bondosos, os governantes chorando pisando na lama em solidariedade ao povo.
    Que hora melhor para isso que perto de uma eleição onde o dinheiro público já estava sendo usado como moeda de troca?
    Esta palavra por sinal (contenção) se tornou palavrão no Brasil o dinheiro do povo escoa pelos ralos da corrupção com a mesma força que as águas dos nossos rios. O Importante é poder inaugurar obras para apresentar a boneca do boneco ao povo boneco.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: